
Long Live the Immaterial é a proposta da dupla de criadores holandeses Viktor & Rolf para o Outono/Inverno 2002/2003. Recuperando a exclamação proferida por Yves Klein no final do seu texto The Chelsea Hotel Manifest, “Long Live the Immaterial” recorda ainda o trabalho deste artista porque a cor dominante desta colecção, azul ultramarino, evoca o patenteado International Klein Blue (IKB). Com uma câmara ligada a um computador e a um projector de vídeo, V&R gravam as manequins a desfilar na passarelle, projectando-as de seguida em duas grandes telas laterais. Explorando o bluescreen, técnica utilizada na indústria televisiva e cinematográfica para a criação de efeitos especiais, mais especificamente o processo chromakey blue, duplicam cada manequim em desfile. As propostas, com formas e cortes inspirados na indumentária militar e naval, transformam-se em ecrãs sobre os quais se projectam imagens de vídeo com fragmentos da paisagem urbana e natural. Sem nunca deixarem de adoptar uma linguagem conceptual, V&R dão uma atenção muito particular para com a realidade matérica, propondo novas formulações a partir da associação de novas tecnologias e técnicas artesanais. De repente, por entre a penumbra, vêem-se casacos feitos de céus e pássaros a voar, vestidos de ruas e arranha-céus de Manhattan, combinados de planícies em flor, golas com desertos, corais e mares...
Nesta proposta, V&R reflectem sobre o conceito de espaço virtual, livre de constrangimentos formais, ampliando ainda exponencialmente a natureza e as fronteiras da moda. Cada peça passa a ser feita de luz e imagem.
Entre o físico e o virtual, o corpo desmaterializa-se e passa a ser uma silhueta de arquitecturas, lugares e espaços apropriados. É como se estivéssemos perante esculturas digitais que apelam à nossa decifração e apropriação.
Se esta colecção procurava ir “beyond the product, to design something that is immaterial” (www.SHOWstudio.com), o resultado desfoca a diferença entre realidade e imagem, testemunhando a aguda consciência de V&R do poder da imagem na cultura contemporânea. Segundo eles, “fashion doesn’t have to be something people wear. Fashion is also as image”. Esta consciência está presente, antes de mais, na própria forma como se inventam, muito à semelhança de Gilbert&George, actuando como um só, vestindo-se de igual, terminando as frases um do outro. Acima de tudo são performers que sempre se apropriaram de ideias e atitudes do universo das artes plásticas, dilatando os limites da moda.
Long Live the Immaterial não é a primeira ocasião onde distendem a linguagem convencional da disciplina da moda, corroendo as suas normas formais de apresentação, embora continuem a utilizar a sua nomenclatura.
(…)Out 2008

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