
Artista, Investigadora, Docente FBAUP, Programadora Arte e Arquitectura Guimarães 2012
arqa: Tendo em conta a sua investigação no campo da intervenção no espaço público e actividade programadora na Guimarães 2012 Capital da Cultura, em que sentido lhe interessa especificamente o tema da reabilitação urbana?
Gabriela Vaz Pinheiro: A questão tem para mim duas vertentes. A reabilitação urbana associada às capitais da cultura instaura processos que podem contribuir para uma espécie de teatralização do espaço público com vista ao aumento do seu valor nos mercados da cultura e do turismo cultural. Este ângulo foi o ponto de partida para o projecto que realizei no Porto, por altura do final da Capital da Cultura em 2001. Ou seja, interessou-me investigar de que forma é que, à reabilitação que é operada com vista à valorização das cidades enquanto produto cultural, sobrevém uma espécie de backstage urbano que, sendo profundamente afectado pelas obras no espaço público, pode não chegar a auferir directamente dos seus benefícios. Guimarães, a este respeito, possui condições muito particulares. O seu centro histórico é um exemplo quase perfeito do que deve ser um centro histórico, seja do ponto de vista da recuperação arquitectónica, da preservação material, do revivalismo da iconografia, como do uso corrente e quotidiano por estratos bem diversificados da população. Por isso, o que importará relevar aqui é a emergência de uma outra reabilitação, ou seja a componente industrial e rural da paisagem de evidente importância na vivência e sobrevivência da região, e que representa uma enorme mancha urbana em degeneração. Muito do que estamos a fazer na programação cultural tem esta emergência como ponto de ordem. Pareceu-me que os círculos geográficos em torno da cidade, um misto de resto de glória industrial e pulverização agrícola, são na verdade cruciais para a existência e dinamização do centro histórico que não pode viver só da flutuação sazonal estudantil ou turística. Gostaria muito que a programação fosse capaz de captar e de se infiltrar nesta paisagem periférica de uma forma que pudesse provocar processos de reabilitação disseminados, e não restritamente "urbanos". Numa segunda vertente, o tema interessa-me no sentido em que pode despoletar processos críticos que, podendo não ter manifestações estritamente materiais, apontam questões políticas, éticas, estéticas, ecológicas, sociais, e por aí fora, capazes de provocar momentos ou situações artísticas, capazes de cruzar estes espaços com o espaço do sistema da arte. Este é o território em que opera o Mestrado que dirijo na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e é também frequentemente fonte para algum do meu trabalho da última década e meia.
Mai 2011

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