arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Artes

por: Sandra Vieira Jürgens

Teresa Carneiro

Espaços do Desenho - Drawing Spaces

O Espaços do Desenho - Drawing Spaces é uma associação com sede no rés-do-chão da Fábrica Braço de Prata que tem como objectivo promover projectos no âmbito da prática e pensamento do desenho. De entre as suas inúmeras actividades destaca-se o desenvolvimento de colaborações entre artistas e investigadores portugueses e estrangeiros, a promoção de residências artísticas e exposições e a realização de um conjunto de tertúlias, conferências e debates, bem como diversas propostas dirigidas a públicos especializados e não especializados relacionadas com as possibilidades de fazer e entender o desenho na nossa contemporaneidade. Teresa Carneiro, directora do projecto a par de Mário Costa, conta-nos nesta entrevista a sua experiência na coordenação de um espaço que tem a missão de contribuir para uma visão mais ampla da intervenção artística.

arqa: Como é que se deu a criação do Espaços do Desenho? Porque é que o desenho é o eixo principal do vosso projecto?
Teresa Carneiro: O Espaços do Desenho partiu de uma ideia conjunta que surgiu entre mim e o Luís Gomes, em Dezembro de 2007. Na altura eu vivia no Reino Unido como artista, investigadora e docente na área do desenho e durante vários anos, sobretudo através do contacto com diversos artistas/investigadores que realizavam ou tinham realizado um Doutoramento "practice-based" fui-me dando conta de uma falha na existência de um espaço de disseminação do trabalho e formas de trabalhar destes novos agentes, ligados sobretudo ao desenho, onde fosse possível conciliar o pensar e o fazer do desenho, sem necessariamente ter de o "fixar" na parede ou num ensaio escrito, e sobretudo onde fosse possível não ter de separar forçadamente um fazer e um pensar o desenho. Por outro lado, a questão da "apresentação" do desenho em espaços públicos, sobretudo em galerias ou espaços mais formais era uma outra problemática bastante evidente e frustrante entre vários artistas ligados ao desenho, pelas várias limitações que punham à relevância da preservação da sua fragilidade formal como também às dificuldades que levantavam à apresentação de propostas de desenho menos convencionais e muitas vezes ligadas a outras áreas disciplinares, cuja evidência fosse possível existir como mais precária, processual ou em aberto (em estado de especulação de ideias, gestos, relações...). O Luís Gomes, pintor, ligado também profissionalmente às áreas de gestão e marketing, estava na altura muito interessado em criar um espaço ligado à arte e quando na altura debatemos o assunto concordámos que a criação de um espaço(s) de desenho poderia ser uma aposta muito positiva.

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Mar 2011

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