arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Entrevista

por: Luís Santiago Baptista e Paula Melâneo

Anne Taylor

Ambientes Formativos | Perspectivas Críticas

Arquitecta, Docente University New Mexico, Fundadora e directora Institute for Environmental Education, Presidente School Zone Institute, Autora "Linking Architecture and Education" e "Design and School Zone"

arqa: Tendo em conta a sua actividade e interesse em "ambientes formativos", em que sentido lhe interessam especificamente as tipologias relacionadas com a educação e a pedagogia?
Anne Taylor: Apaixona-me melhorar a condição física global, a função e estética das escolas e a forma como os alunos do ensino primário e secundário são educados. Defendo o desenvolvimento holístico do corpo, mente e uma educação espiritual criativa. Há uma superabundância de pesquisa sobre os efeitos da luz natural do dia, da cor, da condição de uma escola, das relações exteriores e interiores, do excesso de pessoas, da qualidade ambiental dos meios na aprendizagem e nos comportamentos. Interesso-me especialmente por mudar a forma como educamos os nossos alunos (sistema de desenvolvimento educativo) e em transformar a forma de pensar o projecto dos espaços que suportam um novo processo dos alunos do pré-primário. As melhores práticas educativas actuais e teorias de aprendizagem indicam que uma aprendizagem ambientalmente construtivista, baseada em projectos, ajuda a resolver a lacuna da eficácia. Isto faz com que seja necessário um modelo de ambientes de aprendizagem mais actual, onde os estudantes possam, de certa forma, ser responsáveis pela sua própria aprendizagem da vida real e criar e inventar um mundo futuro que irão experienciar e moldar. As salas de aula como as conhecemos há centenas de anos estão obsoletas. A maioria das escolas tem salas de aula de aspecto idêntico repetitivamente dispostas, habitualmente num padrão de "caixa de ovos" posicionadas ao longo de um corredor. No futuro, nem o professor nem o manual serão os únicos portadores de conhecimento. Precisamos agora de espaços tecnológicos que sejam flexíveis, "desdobráveis" e que tenham uma multiplicidade de funções. Muitas das nossas escolas antigas podem ser renovadas, tornando salas de aula tradicionais em espaços diversificados. Uma das salas poderia ser um estúdio de dança, outra um estúdio de música, ou de arte, um centro de reencaminhamento profissional, uma estufa, um atelier de design e arquitectura, um museu de arte escolar, um laboratório tecnológico e outros. Poderíamos estar a projectar espaços diversificados e flexíveis com mobiliário moderno que inclui o projecto paisagístico e arquitectónico como uma ferramenta de aprendizagem. As escolas podem até tornar-se centros comunitários que incluam bibliotecas, centros de saúde e infantários ou centros recreativos para idosos. O objectivo do projecto universal é criar produtos e ambientes que possam ser utilizados por todos, na maior medida possível, sem necessitar de adaptação e desenho especializado. Isto faz com que o arquitecto tenha responsabilidade de ter um pensamento inclusivo desde o início do processo de desenhar ou re-desenhar. Estes princípios incluem as seguintes premissas (e podem ser aplicados no projecto de escolas para garantir o uso seguro de muitos tipos de populações): uma utilização equitativa de todos; flexibilidade de uso (adaptabilidade para funções múltiplas); eliminar complexidade desnecessária; informação perceptível (sinalização e manifestações arquitectónicas); tolerância do erro (remover riscos e oferecer condições de segurança); baixo esforço físico; tamanho e espaço para bom acesso e utilização.

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Jan 2011

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