
arqa: Tendo em conta a sua prática e investigação projectual, em que sentido lhe interessa o tema da casa e a questão do habitar?
Andrés Jaque: Na minha opinião, mais importante do que pensar em edifícios é pensar em habitá-los; e mais importante do que casas é a construção de habitações. É nisto que trabalhamos e tentamos afastar-nos de algumas visões que têm guiado o pensamento arquitectónico sobre estas questões e que não são operativas. A primeira ideia é considerar as habitações como ambientes dóceis e pacíficos. As habitações são pontos de passagem obrigatórios de todas as questões importantes dos últimos 30 anos (ecologia, diversidade de géneros, migrações transnacionais, direitos dos animais...). As casas são as arenas onde se moldam as sociedades, não as restantes disputas de rua. A segunda questão é que as casas nunca são autónomas. Ninguém desenvolve a sua domesticidade num sítio que possa ser reduzido a uma única casa. Tentamos deixar de parte a ideia nominal de habitação e usar uma ideia verbal. Uma habitação não é um sítio específico mas um conjunto de condições específicas onde se podem construir certas formas de relacionamentos. Isto faz com que seja necessário alterar a forma como lidamos com os dispositivos arquitectónicos de modo a produzir redes domésticas em vez de casas.
(…)Nov 2010

FLORIAN IDENBURG, ARQUITETO INTERNACIONAL COM MAIS DE DUAS DÉCADAS DEEXPERIÊNCIA, É UM DOS FUNDADORES DO ATELIER SO-IL, EM NOVA IORQUE. TEM UMPERCURSO PROFISSIONAL MUITO LIGADO A ESPAÇOS INSTITUCIONAIS, TENDO LIDERADOPROJETOS…
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