
Arquitecto Contemporânea, Docente FAUP e UAL, Director JA
arqa: A questão geracional na arquitectura portuguesa atravessou recentemente os debates disciplinares. Existem diferenças geracionais na arquitectura portuguesa contemporânea? Se sim, de que forma se manifestam essas rupturas geracionais? Se não, quais as constantes e identidades que fundamentam a continuidade dos valores?
Manuel Graça Dias: A questão que se coloca aqui é a do alargamento da classe, do número crescente de arquitectos inscritos na Ordem dos Arquitectos e de estudantes nos cursos de arquitectura. Deparamo-nos hoje com a democratização do acesso ao ensino superior e com a "extravagante" vontade de se ser arquitecto, apesar das dificuldades de trabalho que os arquitectos sentem. O grande número de novos arquitectos faz com que deixemos de poder referenciar as coisas de maneira tão "paroquial" como até há alguns anos atrás se poderia fazer, porque as motivações são hoje muitíssimo diferenciadas. Alguns blogues, como o Archdaily, quando publicam projectos portugueses, geram um chorrilho de argumentação, onde se sente uma certa falta de cultura e até mesmo agressividade em relação ao que se considera representativo ou não de uma arquitectura "portuguesa". Embora seja uma situação pontual e não uma amostragem significativa, é com certeza um sinal de que já não há grande consenso em relação a alguns valores reconhecidos na arquitectura que se pratica em Portugal. Esse consenso que, até aqui, era adquirido e existia entre os estudantes, não significando que todos tivessem que praticar esse tipo de arquitectura, pressupunha reconhecimento e respeito. Hoje parece que há uma grande confusão nas respostas e a arquitectura é olhada pelo seu lado mais objectual. "Originalidade a todo o custo" e "situações holandesas" parecem ser muitas vezes os aspectos valorizados. Do meu ponto de vista, assistimos a uma pulverização, nem sempre interessante, de opiniões. Se, por um lado, deixou de haver um território consensual, o que também não deixava de ser limitativo, por outro, esse rebentar do limite é muito aleatório, inculto, baralhado, confuso. (...)
(…)Set 2010

FLORIAN IDENBURG, ARQUITETO INTERNACIONAL COM MAIS DE DUAS DÉCADAS DEEXPERIÊNCIA, É UM DOS FUNDADORES DO ATELIER SO-IL, EM NOVA IORQUE. TEM UMPERCURSO PROFISSIONAL MUITO LIGADO A ESPAÇOS INSTITUCIONAIS, TENDO LIDERADOPROJETOS…
Nov 2020

arqa (1) O título da presente edição da ARQA é “(NON) urban”. Que comentário lhe sugere este título no contexto de uma transurbanidade que, aparentemente, já não distingue o que…
Mar 2020