arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Entrevista

por: Luís Santiago Baptista e Paula Melâneo

Rui Mendes

GERAÇÃO Z - Perspectivas Críticas

Arquitecto, Docente UAL

arqa: A questão geracional na arquitectura portuguesa atravessou recentemente os debates disciplinares. Existem diferenças geracionais na arquitectura portuguesa contemporânea? Se sim, de que forma se manifestam essas rupturas geracionais? Se não, quais as constantes e identidades que fundamentam a continuidade dos valores?
arqa: Por outro lado, as condições de exercício da profissão alteraram-se profundamente com a globalização económica e comunicacional e os tremendos avanços dos meios tecnológicos. De que forma essas mudanças nas condições técnicas e produtivas têm reflexos na arquitectura actual?
arqa: A actividade dos arquitectos tem-se pluralizado e diversificado substancialmente, compreendendo hoje a prática profissional, o trabalho projectual, a investigação técnica, a actividade política, a acção social, a função pública, o ensino, a investigação teórica, a prática editorial, a curadoria, a intervenção artística, etc. Perante este espectro alargado, o que define hoje a especificidade da actividade do arquitecto?

Rui Mendes: Do Museu Iberê Camargo, em Porto Alegre, de Álvaro Siza, aos Armazéns agrícolas, em Alcochete, do colectivo Plano B, distintas gerações reflectem em simultâneo com o seu trabalho múltiplos entendimentos sobre a contemporaneidade. Sobre estas sobreposições e coexistências parece-me mais interessante apontar pontos de contacto do que estabelecer dicotomias redutoras. Nas práticas recentes que me parecem mais estimulantes e consequentes (de várias gerações de arquitectos) identifico uma pesquisa e uma atitude cada vez mais distante do reduto ontológico da procura da essência como matriz. Quero com isto dizer que se estabelecem operações de síntese a partir de um corpo cultural e técnico progressivamente mais abrangente e diversificado apelando para a ideia de "conceito como acontecimento e já não como essência", assim proposto por Gilles Deleuze. As condições e contextos políticos, sociais e económicos particulares de cada tempo conduzem necessariamente à "ideia que teremos sempre que inventar, a consciência que novos tempos exibem novos conhecimentos". Paulo Mendes da Rocha, em "a cidade para todos". (...)

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Set 2010

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