
Eu quero pôr o observador
num terreno pouco seguro,
para que tenha que se reconsiderar a si próprio
e às suas circunstâncias
Vito Acconci
Escritor, escultor, arquitecto, performer e videasta com um percurso interdisciplinar desde a década de 60, Vito Acconci é hoje uma referência incontornável para o meio artístico que investe ainda no questionamento do corpo como símbolo maior de uma relação entre o público e o privado. A pluralidade disciplinar que arrasta a sua criatividade ao longo de quase de cinco décadas, tem origem todavia no poder mágico da palavra e dos seus usos políticos e sociais.
De início, Acconci manifesta o seu espírito criativo a partir da poesia, na sequência de uma formação universitária em estudos literários da qual não abdicará, apesar da sua posterior opção pela prática artística interdisciplinar, pois a palavra revelar-se-á essencial ao longo das diferentes fases do seu percurso, assumindo um protagonismo fundamental tanto no que diz respeito às fotografias e aos seus famosos filmes performativos, como em relação à sua mais recente prática de uma arquitectura neo-utópica, realizada a partir dos anos oitenta em torno desses “jogos arquitectónicos” que levaram a performance a espaços de construção e demolição de protótipos de casas. Também aqui a palavra actuou sempre no sentido de uma sólida teorização, estruturada e obsessiva.
Em finais dos anos 60, num contexto criativo de intensa contestação libertária, Vito Acconci inicia a sua produção artística de carácter visual, desenvolvendo uma via que considera a palavra na amplitude da sua dimensão visual e espacial, conduzindo-o rapidamente ao universo específico da arte pós-minimalista, empenhada então na experiência plural e politizada criada entre a visualidade da imagem, a linguagem e o corpo, bem como os seus lugares e significados. Os seus primeiros trabalhos têm por base acções registadas em áudio, filmes Super-8 e fotografias. Os seus escritos, bem como as suas acções e vídeos são desde sempre marcados por aspectos corporais que reflectem questões perceptivas mais complexas do que a sua aparente simplicidade sugere.
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