arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Entrevista

por: Luís Santiago Baptista e Paula Melâneo

Alberto Campo Baeza

Acções Patrimoniais - Perspectivas Críticas

Arquitecto, Docente ETSAM

arqa: Tendo em conta a sua investigação teórica e projectual, em que sentido lhe interessa a ideia de património? Como definiria património?
arqa: Perante o fenómeno acelerado e generalizado de urbanização mundial, como se podem equilibrar hoje os ciclos produtivos de construção e destruição?
arqa: Numa sociedade cada vez mais centrada no presente, na satisfação imediata das necessidades e na experiência instantânea do tempo real, como podem as práticas da memória enfrentar as pressões da amnésia?

Alberto Campo Baeza: Respondo às questões colocadas com o meu texto MNEMOSINE VERSUS MIMESIS escrito em 2010: Quando se fala de Memória em Arquitectura, as pessoas geralmente identificam a Memória com a Mimesis, com a cópia directa de modelos passados. Assim o fizeram mais de uma vez os arquitectos. E acreditam que por via da Mimesis, do pastiche podem resolver os problemas que enfrenta a nova Arquitectura ao se inserir na cidade histórica. E muitos políticos, principalmente os conservadores, assim o entenderam e promoveram. Nada mais distante da realidade. A Arquitectura da cidade é uma história viva. Mais, a Arquitectura, que é fiel reflexo do seu tempo, é aquela que constrói verdadeiramente a História da cidade. Roma é o Panteão e Bernini e também Piacentini. E também Richard Meier e Zaha Hadid. Da mesma forma que Madrid é Sabatini e o Marquês de Salamanca e Sáenz de Oiza. E Lisboa é tão Pombal como Siza. Para um arquitecto, é imprescindível. É como a arca do tesouro de onde se tira continuamente o conteúdo para ser utilizado de forma adequada. Para destilar daí as melhores essências. Para se ser um verdadeiro arquitecto, é necessária uma enorme quantidade de conhecimentos, uma grande sabedoria. Uma sabedoria cujo lugar natural é a Memória de onde ir retirar para, com outros ingredientes provenientes de outras fontes, destilar os materiais com os quais se produz essa criação artística que é a Arquitectura. (...)

 (…)

Jul 2010

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