arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Opinião

por: Baptista-Bastos

Práticas sustentáveis: grandezas e misérias

A aprendizagem faz-se através do erro. E, também, através da comparação com outras realizações do espírito humano. Sem perder de vista que toda a arte, toda a criação do homem, é um diálogo que se pede emprestado. Hegel disse uma vez que a «arquitectura é música petrificada.» Entendia que era a mais harmoniosa e perfeita de todas as artes. Mas igualmente a arquitectura fazia confluir em si as artes até então conhecidas. Sabe-se, modernamente, a influência que, por exemplo, o cinema teve na arquitectura, e o que a arquitectura emprestou ao cinema. Neste caso, basta verificarmos a estética do expressionismo alemão.

A literatura, essa, é permanentemente devedora da arquitectura: a prosa (a grande prosa, bem entendido) mais não é do que a aplicação de linhas geométricas, de volumes caracterizados, um fio de prumo cuja legibilidade se propõe ao leitor, como ampla margem dedutiva. A sustentabilidade de uma prática, qualquer que ela seja, em qualquer domínio que exista, corresponde a uma necessidade de perfeição, dificilmente atingível. Os gregos, apontados como mestres de todas as harmonias, admitiam a hipótese da impossibilidade, pelo facto de o homem, por natureza, ser uma criatura imperfeita. E os árabes, colocadores de azulejos, aplicavam toscamente o último, por concluírem que perfeito só Alá.

Todas essas «práticas sustentáveis», todo esse quase infinito processo de criação obedecem, antes de tudo, a uma ética, e esta está sempre associada a uma estética. Uma e outra, ética e estética, podem ser más e condenáveis; no entanto é uma combinação indestrutível. Tentativa e erro  - voltamos ao princ´pio da questão, afinal ao princípio de tudo o que seja empreendimento humano. Até a própria vida é uma experiência única que se desenvolve no erro e na tentativa de o melhorar.

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Mar 2010

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