arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Entrevista

por: Luís Santiago Baptista e Paula Melâneo

Lukas Feireiss

Artista, Docente, Curador, Autor "Architecture of Change. Sustainability and Humanity in the Built Environment" e "Architecture of Change 2" 

 

arqa: Tendo em conta a sua investigação em "Architecture of Change: Sustainability and Humanity in the Built Environment", em que sentido lhe interessa no seu trabalho a ideia de sustentabilidade? Como definiria sustentabilidade?

Lukas Feireiss: Geralmente, o termo "sustentabilidade" direcciona a discussão para problemas geracionais em relação à utilização de recursos globais. Contudo, é fácil, dado o seu carácter de conservação e obtenção - suster: suportar, afirmar - ter uma visão do conceito de sustentabilidade de forma errónea, como um elemento, de certo modo, estático e preservador que resiste a qualquer tipo de mudança. Muito longe da verdade! A sustentabilidade também cobre sempre a capacidade de um sistema de se reproduzir sob determinadas condições em mutação constante. Neste caso, a sustentabilidade deixa denotar a capacidade de se desenvolver mais. Isto também significa que a sustentabilidade não pode atingir uma condição final, é simplesmente um elemento com um equilíbrio dinâmico. Contudo, simultaneamente, o termo tem sido muito manipulado ao longo dos últimos anos. Já há algum tempo que o tópico da sustentabilidade está na boca de todos. Um repentino alarmismo global em relação à vulnerabilidade do nosso planeta Terra começou a espalhar-se por todos os campos de conhecimento e experiência. Desde a política ao pop e do mainstream ao avantgarde, as retóricas foram cunhadas por uma exigência urgente de uma mudança sustentável. A revista Volume até denominou recentemente a sustentabilidade como "a palavra mágica S", que parece indicar uma ideia universal, válida em qualquer lado e em qualquer altura. Mas quer lhe chamemos um imperativo ambiental, uma questão política, um desafio técnico, ou mesmo a fórmula que tudo engloba para salvar o mundo, é claro que nenhuma solução simples e rápida vai resolver o problema pois as questões que se nos deparam são demasiado complexas. De qualquer forma, já é tempo para um novo termo.

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Mar 2010

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