
Em 1911 uma viagem por 23 lugares míticos da Germânia, à Trácia, à Otomana e à Itália, precatava uma vontade férrea de realização, que deveria conduzir ao fascínio absoluto da viagem, tal como a não conhecemos agora. Próxima da vontade deste jovem de 23 anos, estava a Grand Tour do século das luzes, onde a filosofia, a política e a arte seduziam, nas diversas geografias dessa Europa, que ambicionava a sedução dos jovens. Le Corbusier pela expressão dos registos, que assumem descaradamente as suas geografias, deverá ter sido fascinado, é tal o élan que deposita no escrito, como se mundos diversos nesse seu olhar crítico proporcionassem a capacidade ao cidadão do mundo de reinventar a sua cidadania. Leia-se Constantinopla e perceba -se o gozo da estadia antes e depois de uma e outra viagem. Presentemente estas viagens entre GPS e aviões, telemóveis, estes mundos são um só.
Le Corbusier não seria o mesmo, tal como o Mundo não o é. A temporalidade mudou substancialmente e, todos os que displicentemente consideraremos elegante esta viagem a oriente, não conhecemos este mundo e por tal, a nossa percepção é apenas científica e analítica. Mas O Corvo teve, neste seu voo, o pleno prazer da descoberta, e mais que a Arquitectura que o impressionou e o vincou, foi a capacidade de haver simultaneamente outros mundos que definitivamente lhe moldou a alma de fazedor de novas formas sob a luz.
(…)Nov 2008

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"Saber Ver a Cidade", JOSÉ PEDRO MARTINS BARATA, Argumentum, ISBN 9789898885098 O que é uma cidade? Quantas cidades já conhecemos ou a uma só? Aquela que agrega um número significativo…
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