arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Entrevista

por: Arq|a

Pedro Jordão

Arquitecto, Fundador revista NU. Comissário regional Habitar Portugal 2006-2008

arq|a: A questão geracional na arquitectura portuguesa atravessou recentemente os debates disciplinares. Existem diferenças geracionais na arquitectura portuguesa contemporânea? Se sim, de que forma se manifestam essas rupturas geracionais? Se não, quais as constantes e identidades que fundamentam a continuidade dos valores?
Pedro Jordão: As diferenças geracionais são óbvias, ainda que, como sempre, esse reconhecimento passe mais por alguns protagonistas do que pela globalidade do tecido construído nacional, que continua a evoluir em piloto automático. Mas não é tanto uma questão de rupturas como de incorporação de novas contaminações, algumas alheias à própria arquitectura. O tempo das ideologias foi abandonado em favor de um pragmatismo pouco interessado em figuras tutelares e todas as fronteiras parecem esbater-se, mas o processo desenrolou-se sem qualquer choque. A globalização da informação e do mercado tornaram-no quase inevitável. Não surpreende por isso que a noção de arquitectura portuguesa seja cada vez mais uma ficção, sem correspondência num panorama crescentemente indefinido. As referências já não são locais, são irreversivelmente universais. O que com alguma boa vontade se pode nomear de especificidade portuguesa, é nas gerações mais novas residual e prende-se mais com a repetição dos modelos formais consolidados pelas gerações anteriores do que com uma postura de futuro. Não há aqui qualquer problema. Os exemplos recentes mais entusiasmantes da arquitectura nacional, pelo modo como começam a rasgar novos caminhos, são precisamente de jovens autores, tendencialmente agrupados em colectivos, tirando partido de um aumento exponencial do vocabulário formal e construtivo e adaptando-se quase instintivamente aos novos fenómenos urbanos. A identidade é cada vez menos uma questão colectiva. A contemporaneidade prossegue um caminho de fragmentação e a arquitectura portuguesa não é excepção. O risco contemporâneo é outro: a voragem das imagens, a sobrevalorização da bidimensionalidade, das páginas da revista, da parede em detrimento do espaço.

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Dez 2009

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