
Este pensamento do arquitecto é já datado, mas é cuidadoso perceber que se mantêm o fio condutor do passado recente que o legitimou. De facto na idade da Globalização a exuberância do pensamento permite alterações estruturais na abordagem da problemática dos sistemas complexos que a forma, a função e a utilidade da arquitectura elaboram. Reconhece-se assim alguma tranquilidade na reflexão dessa trindade, com abertura a outras artes onde apenas o deleite da certeza sua existência é o bastante, e remete para as fronteiras limites onde a arquitectura actua e vincula relações, acções e capacidades de sobrevivência. Não é acaso que a obra demonstrativa, é a casa Zumthor, próxima do refugio, da casa elementar, da habitação mínima. Mas também é o fim de uma era.
Todas as suas âncoras referenciadas provêm de um passado próximo; Mark Rhotko, Charles Mingus, Joseph Beuys, Martin Heidegger, tudo seguro, polido, elegante, reconhecido. São personagens todas de um mundo já antigo mas incrivelmente eficaz.
Peter Zumthor pensa de facto a Arquitectura numa beleza com uma forma platónica, um reconhecimento dos sentidos, uma capacidade de assombramento perante a essência de valores que se transportam em cada uma das suas obras nos últimos 5 anos. Pensa então numa arquitectura de transição, de paixão pelas formas, pela realização eficaz dos propósitos. Afirma que m bom projecto arquitectónico é inteligente.
Aqui de facto não pode mais razão e capacidade de discernimento. E Zumthor tem sido um arquitecto inteligente porque pensa.
Out 2009

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