

1. Numa cultura dominada pelo formal e objectual, não é comum encontrar práticas arquitectónicas que investem declaradamente no desenho do espaço público. Desde logo, não se remete aqui para uma separação estrutural entre o espaço público, entendido como exterior, e o espaço privado, entendido como interior. De facto, o espaço público cada vez mais atravessa o espaço privado, habitando-o e interiorizando-se. Neste sentido, pensar uma abordagem ao espaço público contemporâneo através da divisão entre edificado e espaços exteriores é algo que não parece fazer hoje muito sentido. Por outro lado, a distinção tradicional entre arquitectura e paisagismo, se bem que disciplinarmente relevante enquanto definição de competências profissionais, não apresenta definitivamente na experiência colectiva do espaço público essa clareza diferenciadora. O espaço público apresenta-se mais como a confluência de saberes disciplinares numa realidade que se pretende coerente e una. Nestes termos, essa atenção ao espaço público por parte de alguns arquitectos não se pode resumir a intervenções sobre o espaço urbano, acabando naturalmente por contaminar as próprias concepções arquitectónicas por eles desenvolvidas. Este é o caso de práticas como a de Carme Pinós e do Risco. Por um lado, Carme Pinós tem desenvolvido uma arquitectura expressiva e gestual, explorando a relação entre o espaço público e a paisagem territorial, urbana ou suburbana. Esta atenção à dimensão paisagística do lugar da arquitecta catalã encontra depois na exponenciação dos espaços de utilização colectiva dos seus edifícios o seu reflexo arquitectónico. Por outro lado, o atelier Risco aposta numa abordagem consistente e reflectida apoiada numa convicção nas virtudes qualificadoras do desenho urbano, perante os desafios prementes da cidade existente, compacta ou difusa. Essa confiança nas potencialidades públicas do projecto urbano manifesta-se depois em propostas arquitectónicas que estimulam tipológica e morfologicamente a máxima apropriação colectiva dos seus espaços. Em suma, as diferentes estratégias de Carme Pinós e do Risco encontram-se nessa determinante tentativa de relacionar as diferentes escalas de actuação do projecto, procurando superar a tradicional separação disciplinar entre arquitectura, planeamento e paisagismo.
(…)Out 2009

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