arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Opinião

por: Baptista Bastos

O espaço público como determinação da História

A rua é o grande espaço de liberdade, de certa forma inspirado, ou decorrente, da Ágora, a praça principal da cidade grega, onde a convivialidade estava associada a uma relação muito estreita entre as pessoas. Ali se discutia, ali se cavaqueava, ali se passeava, ali se ostentava, ali se protestava. O espaço público é propriedade de todos, não há fronteiras flutuantes nem zonas de demarcação. Se o conceito de liberdade precisa de ser ilustrado por um ideograma, digamos assim, aí está a rua a defini-lo.
A rua é minha porque é de todos. Há qualquer coisa de filosófico na grandeza deste princípio igualitário. O nascimento e o desenvolvimento dos laços sociais são a construção desse gregarismo sem o qual os homens não podem viver.
O espaço público permite, e até estimula, a associação entre pessoas que não se conhecem, e centra-se, sobretudo, em determinadas áreas citadinas. No caso de Lisboa, como exemplo, o Chiado foi a passarele por onde desfilavam as grandes vaidades e as aparentemente grandes importâncias. O Ramalho e o Eça escreveram páginas luminosas acerca dessa «gente considerável», personagens da futilidade portuguesa. Mas o Chiado foi, também, ponto de encontro, desde o século XIX, pelo menos, dos grandes nomes da nossa cultura. O Eça e os seus amigos encostavam-se na fachada da Havaneza (que ainda existe), a discretear sobre Portugal e o mundo. No Chiado do século XX houve, pelo menos, três tertúlias: a de A Brasileira, a do Café Chiado, a da Leitaria Garrett - e a «privada», no consultório do prof. Pulido Valente, por cima da Livraria Bertrand. Escritores, jornalistas, pintores, cineastas, cientistas ali se encontravam, consoante as afinidades electivas. Foi um momento altíssimo da Ágora lisboeta.

 (…)

Set 2009

Outros artigos em Opinião

Imagem - JOÃO ÁLVARO ROCHA O RIGOR CIENTÍFICO DA OBRA SOCIAL AO EDIFÍCIO TECNOLÓGICO

JOÃO ÁLVARO ROCHA O RIGOR CIENTÍFICO DA OBRA SOCIAL AO EDIFÍCIO TECNOLÓGICO

Por: VICTOR MESTRE ARQUITETO (ESBAL, 1981). MESTRE EM REABILITAÇÃO DO PATRIMÓNIO ARQUITETÓNICO E PAISAGÍSTICO, SOB ORIENTAÇÃO DO ARQTº. FERNANDO TÁVORA (UNIVERSIDADE DE ÉVORA, 1997). DIPLOMA DE ESTUDOS AVANÇADOS EM TEORIA… 

Dez 2019

Imagem - JOÃO ÁLVARO ROCHA

JOÃO ÁLVARO ROCHA

O projeto de arquitetura tem premissas próprias e únicas, no qual, há que dar respostas a um programa e a um lugar. Tendo em conta que o conceito é algo… 

Dez 2019

Arquivo de Opinião