
arq|a: Tendo definido o contexto da crítica arquitectónica entre a "tradição do conflito" e a "lógica de dissipação", como interpreta as possibilidades actuais da actividade crítica na arquitectura?
JF: Nesse texto queria referir-me a uma clivagem da crítica face à história (da arquitectura, do país): a "tradição do conflito" seria uma abordagem que tem presente aquilo que nos puxa para trás; a sedução do que nos puxa para trás. O modo, por exemplo, como o Bob Dylan, no início dos anos 60, em Nova Iorque, pega numa forma extremamente arcaica de música (a folk), para superar toda a gente, e ser "vanguarda". Reconheço-me nesta temporalidade não linear, conflituosa, com alguma reticência face ao novo, prestando atenção ao retrovisor. É uma questão de civilidade. A "lógica da dissipação" remete para a doença infantil do moderno: a "morte do pai"; o deslumbramento face à tecnologia; os "amanhãs que cantam" mesmo que agora em download. A "lógica da dissipação" significa que o crítico se esforça por encontrar o "novo"; sonha com rupturas geracionais; vive irrequieto "no que está a dar". Permanece num anacrónico mundo moderno. É muito compreensível e estimável esta abordagem mas aligeira em demasia o passo. O "Depois do Modernismo", em 1983, tentou a "dissipação"; agora, alguns dos seus principais mentores, nem querem ouvir falar. A "tradição do conflito" inclui mais coisas e tenta colocá-las em perspectiva: o "novo", o que vem a seguir, o que já foi. Reconhece o mainstream, reconhece as "estrelas", reconhece as margens; gosta principalmente do espaço que criam entre si.
(…)Jul 2009

FLORIAN IDENBURG, ARQUITETO INTERNACIONAL COM MAIS DE DUAS DÉCADAS DEEXPERIÊNCIA, É UM DOS FUNDADORES DO ATELIER SO-IL, EM NOVA IORQUE. TEM UMPERCURSO PROFISSIONAL MUITO LIGADO A ESPAÇOS INSTITUCIONAIS, TENDO LIDERADOPROJETOS…
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