Todos somos geração X. Viajados, informados, incultos, acelerados, afectados, opinativos, míopes. A geração do Flexiexistencialismo e dos seus flexiexistencialistas somos todos estes que, no século XXI, nos consideramos herdeiros de um novo mundo. Ultrapassada a agricultura, ultrapassada a indústria, os serviços tendem a salvar-nos da ideia mítica e peregrina do progresso, esse motor das ambições pelas quais os cidadãos lutam. Poder, riqueza e prazer, permanecem os motivos pelos quais, o mundo pula e avança, dizia o poeta. Mas os motes permanecem os mesmos, os vícios, as ambições, os crimes, as preocupações, as rotinas. A geração X sofre das mesmas questões que a eternidade social, só que com outras reacções. O mundo mudou muito, tem-se dito, os cenários é que se alteraram. Toda as lutas de Homero e de Shaskespere são de agora, deste presente dito acelerado, dito inexorável, dito inconsequente, propondo-se a rápida mudança, como se a vida na semana passada fosse diferente e muito melhor. A geração X tem reflexões arquitectónicas - a indigestão arquitectónica tem uma necessidade quase obsessiva de viver num ambiente arquitectonicamente giro. Implica com frequência objectos fetiche como fotografias a preto e branco emolduradas, mobilias simples de mobiliário sueco semiconsumível, coisas high-tech preto mate, como televisores, aparelhagens e telefones; iluminação de baixa voltagem, flores frescas com nomes complicados. Um luxo esta geração X que sucedeu a uma outra que de decadente teve de inventar a sociedade de Informação.
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