arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Opinião

por: Baptista Bastos

A crítica da Arquitectura contra a Indiferença

Desde os gregos que os artistas comentavam as obras uns dos outros. As reflexões permitiam-lhes desenvolver análises sobre o seu próprio trabalho. Até hoje, o exemplo não se perdeu. E bom é que assim seja. Os textos analíticos de Proust sobre Saint-Beuve não se referem, somente, ao grande crítico do século XIX: constituem um magistral estudo (embora sulfúrico) das tendências «realistas» do romance daquele tempo. O ensaio leva um título que, já em si, é um programa: «Contre Saint-Just.» Há uma série de artigos notáveis, que Vasco Graça Moura reuniu em volume, «Contra Bernardo Soares», que obedece a semelhantes propósitos.
«Ser contra» ou «ser do contra» parece estar na base das reflexões cometidas por escritores acerca de escritores; de pintores acerca de pintores; de arquitectos acerca de arquitectos. Jean Nouvel, por exemplo, não é nada meigo quando defende o que lhe parece ser a sua razão. A crítica da arquitectura contemporânea, contida nos seus numerosos artigos, fornece, afinal, não somente a cosmovisão do autor como uma perspectiva do nosso tempo.
Porque, na verdade, quando no exercício do comentário crítico, nenhum autor está, rigorosamente, só: ele (os seus textos) reflecte as ideias de um grupo, de uma comunidade, de um sector. Não há ideias em sistema de exclusividade. As ideias revoluteiam e surgem, por vezes, em simultâneo, nos locais mais díspares e separados do planeta. Na «Crítica da Razão Pura», Kant falou disso: do movimento das ideias, que pode não corresponder ao movimento da arte. Este, amiúde, vai mais à frente, desbrava caminhos novos e absolutamente inesperados.
Rem Koolhaas, o fascinante autor da Casa da Música no Porto, dá-nos uma interpretação sui generis da contemporaneidade em ensaios tão interessantes quanto complexos como « Delirious New York» ou «S,M,L, XL. Ele defende os conceitos expostos, por exemplo, na magnífica Casa da Música (entre outras obras), implicando uma violenta transgressão e, até, uma aparente agressão à paisagem, ao bom senso e ao bom gosto. Mas ele adverte que o desenvolvimento do olhar é um processo lento, muito lento, até à total fruição do objecto. (...)  (…)

Jul 2009

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