arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Artes

por: Sandra Vieira Jürgens

Paulo Mendes

Processos de construção crítica

Paulo Mendes desenvolve desde há 20 anos uma trajectória artística de grande intensidade crítica, absolutamente alheia a consensos. Nesta entrevista revela-nos aspectos fundamentais do seu pensamento. Fala-nos do que é ser artista na sociedade contemporânea, de como entende a prática criativa e de projectos que ajudam a definir o seu modo de estar na arte.

arq|a: O seu trabalho remete-nos frequentemente para uma reflexão crítica sobre as condições, o contexto e as realidades sociais e políticas contemporâneas ou sobre o próprio meio artístico. A arte pode ter uma interferência crítica na realidade?
Paulo Mendes: Como cidadão, elemento integrante de uma estrutura social devo reivindicar uma intervenção sobre a realidade em que me encontro. Se os sistemas de controlo social criaram um consenso dominante que dificulta e quase anula a possibilidade de um posicionamento crítico, a arte e a criação em geral, podem ser utilizadas como detonadores dessa análise crítica. Os trabalhos artísticos são diagnósticos da nossa contemporaneidade. Ou seja, a arte, na sua autonomia, pode funcionar como uma força de guerrilha instalada dentro do sistema de poder, mantendo uma visão integrada mas distante. Os artistas colocam questões mas não lhes cabe dar respostas. Por vezes podemos fazer as perguntas de forma a provocar uma determinada resposta, mantendo livres os canais de circulação da discussão. A criação deve ser um espaço aberto, não dogmático mas predisposto à discussão. A autonomia da arte confronta-se com os sistemas de legitimação e comércio e é introduzindo componentes críticas, de denúncia de contextos políticos, sociais, culturais e económicos, que a arte protege a sua autonomia. Por exemplo, podemos observar essa desconstrução dos mecanismos de poder nos trabalhos de Santiago Sierra, Jeremy Deller, Antoni Muntadas, Hans Haacke, Marina Abramovic ou Steve McQueen. Muitas vezes os artistas contemporâneos apropriam-se de formas e formatos pré-estabelecidos para descodificar modelos e produzir outras correntes de realidade e narrativas alternativas, caso de Ryan Gander, Christian Jankowski, Peter Watkins, Daniel Clowes, Rodney Graham, Allan Kaprow, Hélio Oiticica, Tony Oursler, Jean-Luc Godard, Richard Prince, Paul Chan, Chris Ware ou Mark Wallinger. (...)

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Jul 2009

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