

Este foi o primeiro trabalho que abordou directamente a noção de lugar como processo de desestruturação, relacionado com a erosão e a degradação industrial. Por outro lado, aí nascia a ideia de produzir arte a partir de uma nova espécie de readymade: a terra, enquanto lugar em constante transformação. "Um grande artista - escreve Smithson - pode realizar arte simplesmente com o olhar. Uma série de olhares podem ser tão sólidos como qualquer coisa ou lugar, mas a sociedade continua a valorizar apenas os objectos de arte"3.
Não podemos esquecer que a obra para um sítio específico evidencia que o lugar está em permanente mutação. É a própria intervenção artística que possibilita uma nova maneira de apreender e vivenciar o lugar, engendra novas significações e novos modos de ver. O espectador tem desse modo a sua capacidade de observação questionada, a percepção exige um trabalho: caminhar, investigar. Ver com os pés. Robert Smithson é o mais importante precursor dessa estratégia vivencial e artística. Os lugares confirmam-se assim enquanto monumentos da natureza, como dimensões de espaço e tempo que transcendem a experiência e a capacidade cognitiva individuais. As operações pontuais que o artista exerce sobre elas não procuram adequar-se ao lugar, criar um sentido de identidade, mas confrontar o observador com a complexidade e a instabilidade dessas configurações de grande escala.
Abr 2009

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