arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Livros

por: Mário Chaves

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Recensão Crítica

JOHN JULIUS NORWICH, As Grandes Cidades da História, Clube do Autor

As cidades são o nosso orgulho civilizacional, quando a civilização é tão somente a nossa domesticação, face a um propósito de distanciamento à Mãe Natureza. Fazer cidades exige vontade, determinação, cidadãos. Exige transformação, planeamento, vaidade; exige imposição ao espaço natural que as recebe. As cidades têm sido o vetor avançado da ação de progresso, que a humanidade vestiu como propósito da sua ação e legitimidade; e sobretudo foram o palco de uma vontade maior de governação, que é o exercício da política. É certo que as cidades alicerçaram os territórios, fundaram lugares, incorporaram arte, mas também o é que fizeram a guerra, a conquista. A sua ascensão e queda é um fenómeno notável de como Darwin tinha razão em que ou progridem e se adaptam ou morrem ou moribunda mente sobrevivem e se arrastam na decadência. Todas as outras, que em cada tempo prosperam, são faróis da dinâmica humana rumo às cidades do espaço sideral, onde outro conceito de cidadania será desenvolvido. Contudo a miséria humana do desequilíbrio económico, consequente à ganância, tem revelado que as cidades são também os focos maiores dos vícios, que se sobrepõem às virtudes, e os mesmos problemas que existiram no passado mantêm-se no presente, com maior intensidade, face à maior população, consumo e desequilíbrio na riqueza e oportunidades. As grandes cidades da história foram grandes, quando o souberam ser.

WALTER ISAACSON, Leonardo da Vinci, Porto Editora

Leonardo é da Vinci para a eternidade, como o triunfo do generalista, aquele cuja vontade de abranger não tinha limite, cujo interesse global não punha fronteiras nem definições inultrapassáveis perante o desafio da transversalidade, face à limitação da especialidade. Vivia-se também um tempo novo e Leonardo era um homem do seu tempo sem o tempo definido da ação e do pensamento; Leonardo, enquanto generalista militante, fez todas as pontes possíveis entre todos os conhecimentos da época e concatenou o pensamento em sabedoria, alavancando a possibilidade de ir mais alem em quase todas as ações de intervenção humana, culturalmente, socialmente, artisticamente. O mais intrigante, e deveras singular, seria que tudo era motivo de forte interesse e dedicação, numa obstinação invulgar entre todos aqueles a quem comummente apelidamos de génios, perante a normalidade que grassa continuadamente em todas as sociedades e em todos os tempos. Para uma perenidade, ficaram alguns dos melhores exemplos de desenho de tudo o que haveria por desenhar, num contributo definitivo para uma nova idade cultural alicerçada no valor individual.

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Nov 2020

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