arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Entrevista

por: Victor Neves

CONHECER JOÃO ÁLVARO ROCHA, À CONVERSA COM CONCEIÇÃO MELO

arqa JAR (João Álvaro Rocha) frequentou a ESBAP. Ele e a Conceição foram colegas aí. Em que anos? O que recorda de mais importante desses anos?

CONCEIÇÃO MELO Vivemos os melhores anos das Bases Gerais, documento que fundou o projeto pedagógico do que convencionou chamar-se a Escola do Porto. Não posso esquecer a discussão de projetos, a avaliação crítica que acontecia noite dentro, nas salas de aula do 2º ano do curso de arquitetura, sob orientação do professor Alexandre Alves Costa. O João não era da minha turma (a minha era a do Alexandre) mas vinha, voluntariamente, com alguns outros, assistir às nossas discussões de trabalho de projeto. Nesses anos tínhamos apenas quatro disciplinas: Projeto, Desenho, História e, creio, Estruturas. A nota era única. Eram sessões duras, de desconstrução de preconceitos, de abertura de ideias, de procura do conhecimento, da relação, do método e do conceito. O desenho, o seu papel como instrumento de projetação é outra das referências incontornáveis na identificação do Curso de Arquitetura. Alberto Carneiro, o nosso professor, mais tarde nosso amigo, foi pedra angular neste processo. Mas, não só ele. No primeiro ano o meu professor de desenho foi o Joaquim Vieira e a Luísa Brandão, do João. Estávamos em estádios muito diferentes: para o João o desenho como método de representação, conhecimento e investigação não tinha segredos, para mim era um mundo incontrolável que se abria. O João foi fundamental no meu processo de aquisição do desenho como instrumento de projeto: ensinou-me a dominar a relação entre o pensamento e a mão, transformando-o em forma e, depois, em forma construível. Estabelecemos relações fortes de cumplicidade entre professores e alunos, que ainda hoje se mantêm. Partilhamos o segredo comum de momentos inesquecíveis de criatividade e de discussão crítica. Fizemos parte de um processo iniciático e indizível, que se consolidou numa escola, não de tendência, mas de um modo de fazer, de uma cultura de estar. (...)

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Dez 2019

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