arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Opinião

por: Horácio Bonifácio

Notas sobre o ensino da arquitectura

Apesar da crise dos últimos anos, a arquitectura constitui-se como uma das mais interessantes áreas do conhecimento. Uma das profissões mais conceituadas desde sempre, a arquitectura e o arquitecto têm e terão um papel determinante na vida das pessoas, particularmente na contribuição para a definição do complexo e diverso sistema que é a cidade onde a grande maioria da população vive actualmente. Por isso, o mestrado integrado em Arquitectura apresenta características de formação em banda larga, dotando o estudante de competências necessárias ao conhecimento da arquitectura como fenómeno cultural, tendo em conta o enquadramento e as condições históricas, geográficas, e o património, como fenómeno artístico, como fenómeno científico, como fenómeno tecnológico, como fenómeno morfológico, social e económico e também como fenómeno profissional, tendo em conta a gestão e os códigos da profissão.O estudante deve desenvolver aptidões que lhe proporcionarão capacidades de aprender a conhecer, a conceber, a analisar, a representar, a projectar, a entender o espaço, a entender a importância dos materiais, os sistemas construtivos e estruturais, a abarcar o ambiente, o espaço urbano e o território, as questões sociais, económicas e legais, a entender e inserir os objectos arquitectónicos no tempo. Deste modo, desenvolve-se um ensino abrangente e que procura que os alunos aliem uma formação de qualidade a uma capacidade de entendimento dos diferentes conceitos, pensamentos, perspectivas e opções que se colocam no diverso e complexo mundo da Arquitectura, estimulando os jovens aprendizes de arquitectura a procurarem e a escolherem o seu próprio caminho. Para além da construção da sua própria identidade o estudante de arquitectura é hoje confrontado com várias e diversificadas necessidades no mundo contemporâneo, onde o projecto já não é a colossal obra de extraordinário impacto, mas em que as preocupações terão que contemplar o ambiente, a sustentabilidade, a ecologia e o enquadramento e harmonização da arquitectura do passado com as soluções da contemporaneidade e terão que envolver, ainda, as sensíveis problemáticas duma reestruturação urbana que envolva a recuperação dos espaços, da rua, da praça, dos edifícios, dos equipamentos. Estes são, de facto, alguns dos desafios que se colocam hoje na formação em arquitectura, particularmente num momento em que a crise não está resolvida, apesar de neste momento já existir uma muito maior capacidade por parte do mercado profissional para absorver os Arquitectos, do que existia há alguns anos. Todavia, os Arquitectos têm que entender que necessitam de se re
converter e acomodar aos novos paradigmas da profissão que são também, simultaneamente, novas possibilidades de actividade que anteriormente não existiam. Ao mesmo tempo, as escolas de arquitectura tem, também, que se adaptar às novas realidades, que passam, por um lado por uma diversificação de formações e por outro por uma formação que assuma a novidade e que entenda as necessidades e os interesses das novas gerações. Só assim poderemos repor a importância de uma área que ganhou enorme papel na sociedade nas últimas décadas do século passado e que, ao contrário dos que consideram que existe um número exagerado de Arquitectos em Portugal, basta olhar para a nossa paisagem arquitectónica e urbana para perceber que não existe esse excesso apregoado, porque muito existe para fazer não só na recuperação do imenso que se encontra degradado e desaproveitado, como no novo que é necessário corrigir e melhorar. Na Faculdade de Arquitectura e Artes de Lisboa da Universidade Lusíada, com a responsabilidade de ter contribuído nos últimos trinta anos para a formação de mais de 4000 profissionais, de reconhecida competência, quer no domínio da Arquitectura, como noutras áreas relacionadas, quer em Portugal, como em praticamente todo o Mundo, e que é a realidade formativa que melhor conheço há mais de duas décadas, sempre fizemos e continuaremos a fazer todos os possíveis para cumprir os desígnios da evolução da prática arquitectónica, de modo a honrar a arquitectura portuguesa, que, quer hoje, como em muitos momentos no passado se constitui como uma identidade muito própria e com uma qualidade assinalável. 

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Set 2019

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