arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Projectos

Museu do MegalitisMo, Mora | MORA’s MuseuM Of MegAlithisM

Atelier Office CVDB ARQUITECTOS Associados e Tiago Filipe Santos Arquitetura

Autoria e Coordenação Architecture Authorship and Coordination Cristina Veríssimo; Diogo Burnay; Tiago Filipe Santos

Projeto Expositivo Expository Project Autor Author P-06

Diretores de Projeto Project Directors Nuno Gusmão e Paulo Costa;

Desenvolvimento Development Pedro Anjos (design) + Simão Botelho (arquitetura, architecture)

Consultor em Museologia Museology Adviser Prof. Dr. Leonor Rocha

Colaboradores Collaborators Joana Barrelas; Rodolfo Reis; Ilaria Anselmi; Hugo Nascimento; Eliza Borkowska; Magdalena Czapluk; Elizabeta Vito

Procedimento Procedure Concurso Público Internacional – 1º Prémio International Public Competition - 1st Prize

Datas do projeto Project dates Concurso Competition 2012;

Projeto Project 2013;

Obra Construction 2016

Localização Location Mora, Alentejo, Portugal

Cliente Owner Município de Mora City Hall

Área de Construção Construction Surface 1.200,00 m²

Área de Paisagismo Landscaping Surface 1.100,00 m²

Custo Total de Construção Total Cost 2.200.000,00 €

Empreiteiro Contractor Costa & Carvalho

Engenharia Engineering Projectual Paisagismo

Landscaping arquitectos architects - Maria João Fonseca e Armando Ferreira

Fotografia Photos Fg+Sg

 

[in english below]

Museu do Megalitismo integra a antiga estação de caminho-de-ferro de Mora e localiza-se junto ao jardim público, a construir futuramente, no centro da vila alentejana. Pretende-se que o edifício seja uma referência, na vila e no distrito de Évora, contribuindo para incrementar a oferta cultural nacional, dada a relevância museológica e patrimonial dos achados arqueológicos referentes ao período do megalítico, descobertos na região. A antiga estação de caminho-de-ferro é um edifício icónico que pertence ao Património ferroviário Nacional, enraizado na memória coletiva dos habitantes. O projeto pretende clarificar e reforçar o valor patrimonial dos edifícios existentes, num gesto de reabilitação cuidada. O projeto assume uma lógica diacrónica, onde o que é relevante e permanente se mantém e onde o que é novo e substantivo se acrescenta à história. O Museu do Megalitismo é constituído por quatro edifícios distintos, interligados linearmente por uma galeria. Os dois edifícios centrais são reabilitados e nas extremidades do conjunto são construídos dois corpos novos, que integram o espaço expositivo principal, a poente, e a cafetaria, a nascente. A antiga plataforma de espera da estação é também reabilitada, sendo o elemento conceptual unificador do projeto e parte integrante de uma galeria exterior coberta - elo de ligação unificador do conjunto edificado. A galeria interliga os diversos programas e envolve as circulações, sendo também um espaço flexível que possibilita a integração de conteúdos expositivos alternativos. A sul, a galeria oferece a possibilidade de abrir-se para o espaço público. No topo nascente, a galeria permite o encerramento a zona de cafetaria, para que possa ser utilizada de forma independente, juntamente com a esplanada que remata o complexo do museu, e relacionar-se com o jardim público. Na extremidade poente da galeria, encontra-se o espaço expositivo principal, cuja dimensão lhe confere a flexibilidade necessária para albergar este tipo de programa. Conceptualmente, a exposição permanente é entendida como uma topografia que simula um campo de escavação arqueológico. Pretendese estabelecer uma relação entre a exploração do espaço expositivo e a exploração do território onde se encontram monumentos típicos do período megalítico – os dolmens e as antas. O espaço expositivo proporciona assim uma experiência espacial e uma experiência de aprendizagem e conhecimento do período do megalítico. Os dois edifícios existentes (antiga estação e armazém) foram reabilitados tendo em conta os conteúdos programáticos e as novas exigências funcionais e infraestruturais. Na antiga estação alterou-se apenas a compartimentação interior. É neste edifício que se localiza a entrada principal do museu, bem como a biblioteca e a administração. O armazém tem um caráter polivalente, direcionado para a realização de atividades educativas infantis através de conteúdos interativos, permitindo ainda albergar workshops, conferências e exposições temporárias. O espaço
mantém-se amplo, sem compartimentação, preservando-se a sua volumetria e exaltando-se a configuração original da estrutura da cobertura. Nos edifícios existentes procurou-se utilizar materiais e técnicas construtivas compatíveis com a construção tradicional original, nomeadamente: argamassas à base de cal, telha cerâmica, mosaico hidráulico, caixilharia e estruturas/asnas em madeira. Nos edifícios novos os materiais utilizados integram-se na lógica global do conjunto, mas assumem uma linguagem contemporânea. A galeria e o embasamento dos edifícios novos são abraçados por uma “pele”, constituída por painéis recortados em alumínio lacado, cuja iconografia se baseia na interpretação de desenhos geométricos presentes em placas de xisto – achados arqueológicos referentes ao período megalítico. esta “pele” é uma referência ao conteúdo do museu e percorre todo o projeto. estes painéis permitem a exploração de variações luz/sombra e transparência/opacidade, ao longo dos diversos espaços, tendo em conta as suas características particulares. Ao final do dia o edifício ganha uma luz própria, através da retroiluminação dos painéis, marcando a sua presença. A presença da madeira é um aspeto fundamental na tectónica e na preservação da memória coletiva dos edifícios aqui reabilitados. Procura resgatar-se as antigas estruturas de madeira, como elementos fortemente caracterizadores da arquitetura original, colocando-se em absoluta evidência a beleza do detalhe, do encaixe, da assemblagem, da textura e da matiz cromática do material. Da madeira como estrutura (asnas e vigas) à madeira como revestimento (pavimentos, tetos e guardas). O edifício tira pleno partido da expressão e das características físicas do material em várias situações que expressam a versatilidade e diversidade de possibilidade de aplicações da madeira na construção. Propõe-se um percurso expositivo através de uma maquete topográfica. Uma representação abstrata de um local arqueológico tipificado, onde metodologicamente se impõem geometrias e métricas rigorosas que se sobrepõem ao território natural, desenhando-o. No território criado desenham-se circulações, espaços expositivos, momentos contemplativos, que resultam em quatro volumes distintos, que acompanham o discurso expositivo de acordo com o guião definido. O conjunto é composto por lâminas de madeira de grande dimensão, justapostas e encaixadas, criando uma grande topografia cenográfica que serve de suporte a todos os conteúdos expositivos, assimilando vitrines, mesas multimédia, maquetas, imagens gráficas e a iluminação. entre a opacidade e a transparência a exposição revela-se à medida que descobrimos cada núcleo expositivo.

 

The Museum of Megalithism integrates the existing buildings of Mora former Railway Station. It is located next to the public garden, in the center of this Alentejo village. It is intended that the Museum becomes a reference to the village and to the district of Évora, contributing to increase the national cultural offer, due of the heritage relevance of the archaeological findings related to the megalithic period, discovered in the region. The former railway station is an iconic building that belongs to the National Railway Heritage and is rooted in the collective memory of Mora inhabitants and visitors. The project aims to clarify and reinforce the heritage value of the existing buildings in a gesture of careful rehabilitation. It assumes a diachronic logic, preserving what is relevant and permanent and adding substantial new buildings and elements to its history. The Museum consists of four distinct buildings, linearly interconnected by a gallery. The two central buildings are rehabilitated and at the end of the ensemble two new buildings are added in order to integrate the main exhibition space, and the cafeteria, east orientated. The old station’s waiting platform is also rehabilitated, being the unifying conceptual element of the project and an integral part of a covered outdoor gallery - the unifying connector between the buildings. The gallery interconnects the various programs and involves the circulation, being also a flexible space that allows the integration of alternative exhibition contents. The gallery offers the possibility to open itself to the public space facing south, to the street that gives access to the museum. At its’ eastern end, the gallery allows the cafeteria to be closed, so that it can operate independently with an outdoor terrace that bookends the museum complex and connects it to the new public garden, located north of the museum. The main exhibition space is located at the western end of the gallery. The gallery dimensions allow this space to be used with considerable flexibility to accommodate a diverse type of programs and activities. Conceptually, the permanent Main Exhibition space is understood as a topography that simulates an archaeological excavation field. It is intended to establish a relationship between the exploration of the exhibition space and the exploration of the territory, where the monuments of the megalithic period - the dolmens - are typically located. The exhibition space thus provides both a learning and knowledge experience and a spatial experience of the megalithic period. The two existing buildings (the former Railway Station and the Warehouse) were rehabilitated considering the Museum program content and its’ new functional and infrastructural requirements. Inside the old station, the interior organization of the spaces changed. The main entrance to the museum, as well as the library and the administration area are located here. The warehouse has a multipurpose character, directed to children’s educational activities through interactive content, as well as to host workshops, conferences and temporary exhibitions. The space remains open, without any compartmentalization, preserving its volume and extending the original configuration of the roof structure. In the existing buildings construction materials and techniques compatible with the original traditional construction technologies were used, namely: lime-based mortars, ceramic tile, hydraulic mosaic, wooden window frames and wooden trusses. In new buildings, contemporary construction materials and languages are used and integrated within the overall logic of the project. The gallery and the basement of the new buildings are involved by a “skin”, consisting of cut-out panels in lacquered aluminum. The panels’ iconography is based on the interpretation of geometric drawings present in shale plates - archaeological findings referring to the megalithic period. This “skin” is a reference to the museum’s content and runs throughout the entire project. These panels allow the exploration of light / shadow and transparency / opacity variations throughout the various spaces, considering their diverse characteristics. In the evening the Museum glows through the backlighting of the panels, marking its presence in the town of Mora. The presence of wood is a fundamental aspect in its’ tectonics and in the preservation of the collective memory of the rehabilitation of the existing buildings. It seeks to recover the old wooden structures, as strongly characterizing elements of the original architecture of the railway station, placing in absolute evidence the beauty of the detail, fit, assembly, texture and chromatic hue of these materials. Wood is used as structure (trusses and beams) as well as finishes (floors, ceilings and walls). The building takes full advantage of the material’s expression and their physical characteristics, expresses the versatility and diversity of wood applications in construction. The permanent exhibition circuit is proposed through experiencing a topographic model. This is an abstract and typological representation of an archaeological site, where methodologically rigorous geometries and metrics are superimposed to the natural territory. Circulation, exhibition spaces and contemplative moments are designed in the exhibition territory created, resulting in four distinct volumes that accompany the exhibition narrative according to the defined script by the Museum and archaeology consultants. The exhibition design is made up of large juxtaposed and embedded wooden blades, creating a large scenography topography that supports all the exhibition contents, assimilating showcases, multimedia tables, models, graphic images and lighting. Between opacity and transparency, the exhibition contents reveal themselves as long as we discover each exhibition core.

Set 2019