arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Projectos

Escola dE tEcnologia E gEstão dE BEja | Beja’s school of Technology and managemenT

Arquiteto Architect Nuno Montenegro (M.AR studio)

Projeto Project Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Beja School of Technology and Management

Datas Dates 2003-2016

Localização Location Beja, Portugal

Cliente Owner Instituto Politécnico de Beja

Área Surface 6.500 m2

Custo Cost 6.000.000,00 €

Empreiteiro Contractor UDRA, Gabriel Couto

Estruturas Structure Acet TPF Planege

Eletricidade Electricity Acet Inst.Mecânicas Engineering Acet

Águas e Esgotos Water Supply and Sewer System Acet

Paisagismo Landscaping Nuno Montenegro (M.AR studio)

Fotografia Photos FG+SG
48

[in english below]

A melhor escola que conheço é um convento religioso transformado num convento de ideias. entre estas duas funções foi hospital, quartel e residência. o convento tem mais de sete séculos. É funcional e é belo. foi transformado ao longo do tempo, adaptado - mas a sua estrutura base, tão sólida e flexível, permaneceu intacta. Esta qualidade intrínseca é um leitmotiv para partirmos para a questão crucial do projeto. como conceber uma escola? como fazê-la emergir num processo administrativo de projeto, longe da fundação do seu princípio basilar de congregação espontânea do pensamento? os ingredientes são claros. Uma escola, como parte integrante da estrutura funcional de uma cidade, tem um vasto campo de ação sobre a representação da própria sociedade. Projetar uma escola é, por isso, um exercício sobre o pensamento, sobre a evolução das ideias e das técnicas de uma sociedade. É uma porta aberta para um espaço de exploração. Não é um processo fechado. o suporte é, por isso, essencial neste processo dinâmico. a construção - a matéria - tem que proporcionar amplitude de ação. amplitude de funcionamento, de reconversão, de adaptabilidade, de vivência. acima de tudo tem que ser prospetiva. e isso implica que tem que ser flexível. Temos então o suporte. Salas modulares, subdivisíveis, entradas alternativas, “paredes caixa” para infraestruturas corridas ao longo das salas, para proporcionar alteração de funções e equipamentos, corredores largos e escadas largas. A base do “convento” está assim delineada. O barro pode ser moldado pelo utilizador ao longo do tempo. A questão do “locus” - a fundação geográfica da construção - não é menos importante. Paredes espessas, aberturas reduzidas, branco refrescante nas superfícies interiores e exteriores. Mas a questão do “locus” não termina nas condicionantes climatéricas. A manipulação dos volumes construídos na modelação do terreno é endémica da arquitetura portuguesa. O edifício é muito maior do que parece. Ao rodear o edifício pouco se percebe da diferença de cotas que se vai lentamente absorvendo nas paredes da construção. a relação dos volumes e dimensionamento/visualização dos vãos coadjuvam na redução da escala. a maior escola do Politécnico de beja parece ser a mais pequena e a mais inserida no terreno - que beneficia de uma mata. Mas vale a pena retornar um pouco à reflexão inicial: a questão do que representa o conceito escola. Do que significa habitar intermitentemente uma construção dedicada ao pensamento que necessita de uma estrutura institucional. este aspeto é muito importante na conceção do edifício. O edifício foi gerido como um agregado de componentes que invocam interrogações. o conceito é interrogar, para posteriormente procurar respostas e, finalmente, aprender com esse processo informal de obtenção e transformação da informação. como se processa esse conceito no edifício? De uma forma indireta, o edifício oferece diversas formulações em trajetos imaginários. Interrogações que deixarei apontadas, mas às quais não responderei, porque a resposta faz parte do processo. Algumas das interrogações mais visíveis são: as figuras humanas recortadas em paredes e portadas, as portas estreitas e altas no interior e largas e baixas no exterior, os corrimãos em escada, o H2O em baixo relevo no teto da sala de convívio, a sanca em lágrima na escada do piso inferior, o azul em nichos iluminados, o alçado sul sem vãos evidentes, à pequena porta da entrada principal, a que se sucede um espaço de 15 metros de altura, a repetição de vãos interiores, anulando hierarquias espaciais adjacentes, os balcões da entrada em formas oculares, e também o branco obsessivo e etéreo.

 

The best school I know of is a religious convent transformed into a convent of ideas. In between those two duties, it served as a hospital, a military barracks, and a residence. This convent is over seven centuries old. It is functional and it is beautiful. While it has been transformed and readapted over time, its base structure, so solid and yet so flexible, has remained unaltered. This intrinsic quality serves as the leitmotiv to jump into this project’s key issue. How to design a school? How to extricate it from an administrative project planning process that steers far away from the foundations of its basic operating principle as a spontaneous place of assembly for thinking? The ingredients are clear. A school, insofar as it is part and parcel of a city’s functional structure, has a wide scope of action when it comes to representing society itself. Therefore, designing a school is very much like a thinking exercise on the evolution of a society’s ideas and techniques. It is like a door that opens towards an area of experimentation. It is not a closed process. Therefore, its support structure becomes an essential feature of this dynamic process. Construction matter must provide for wide scope of action; Scope of operation, of ability to reconvert, of adaptability and of living experience. Above all, it must be prospective. And that implies being perforce flexible. Let us then consider the support structure. Modular rooms that can be further subdivided, alternative entranceways, ‘box walls’ as the type of infrastructure running along classrooms with a view to enable alterations as a function of duties and equipment, wide corridors and broad stairs. We have thus laid out the basis for our ‘convent’. As for the clay, it can then be molded by users as and when necessary. The ‘locus’ issue - the actual geographical location of the construction site - is equally important. Thick walls, reduced openings, reflective white paint over indoor and outdoor surfaces alike. The outcome of all those elements is the achievement of great control over a building’s thermal and visual features with an efficacy that relies on rather scarce resources. But the ‘locus’ issue does not end with the ruling climatic constraints. Manipulation of built volumes in modelling the terrain is an endemic feature of Portuguese architecture. The fact is that the building is a lot bigger than it looks. Notwithstanding the fact that one of its storeys is partially buried, the intensity of its interior natural lighting was not curtailed. When walking around the building one hardly perceives the fact that the difference in the height of its elevations is slowly absorbed by the walls of the construction. The manner in which volumes relate to the size/sighting features of its spans combines to reduce scale. Instituto Politécnico de Beja’s biggest school actually looks like it is its smallest and the one that better blends into the surrounding terrain as well - as it benefits from surrounding woods. But it is worth revisiting our initial musings on the issue of what does the concept of school represent. What does it mean to attend, on and off, a building that is solely dedicated to thinking that requires an institutional structure behind it? This issue is of paramount importance in designing the building. The building design was managed as a melting pot of components that raise questions. The underlying concept is to ask questions and then find answers to those questions, and to ultimately learn throughout that process of gathering and transforming information. How does the building process that concept? In an indirect fashion, the structure offers a number of formulations through imaginary paths. I will spell out some of those questions but will not be answering them, because the answer to those questions is part and parcel of the process h/e been referring to. These are some of the most blatant questions: what do the human shapes built into walls and entranceways mean; why are narrow, high interior doors laid side-by-side with wide, low exterior doors; why the banisters along the stairs; why the H2O symbol bas relief built into the ceiling of the assembly hall, why the pearl-shaped wall plates at the stairs to the lower storey, and the sky-blue lighted niches, and the fact that the southern raised wall features no apparent spans; why is the small main entranceway followed by an area that is 15 meters high; why repeat interior spans in a fashion that cancels out adjoining spatial hierarchies; why are the entrance counters built in ocular shapes; and also why does one see an obsessive, ethereal white everywhere you look.

Set 2019