arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Artes

por: Luís Manuel Pereira

IDEIAS SUPORTADAS EM CONCEITOS NA OBRA DE JOANA VASCONCELOS WORK

ENTREVISTA DE LUÍS MANUEL PEREIRA

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Fotografia: Kenton Thatcher/© Unidade Infinita Projectos

O meu trabalho apropria, subverte e responde ao que existe em nosso redor. Descontextualizo os objetos de um determinado ambiente e contextualizo-os num outro espaço e tempo, subvertendo o seu significado e ampliando assim o seu campo de interpretações. O familiar torna-se em algo de novo. O que me interessa acima de tudo é gerar discursos através da criação de um confronto e diálogo.

arqa O seu percurso tem sido revelador da qualidade da arte portuguesa no panorama internacional, sobretudo no que se refere à produção feminina. Após Maria Helena Vieira da Silva, Paula Rego e Helena Almeida é a Joana Vasconcelos a nossa figura de proa no contexto da arte atual, o que lhe dá uma grande responsabilidade. Pode falar sobre essa responsabilidade?

JOANA VASCONCELOS Devo começar por expressar que estar ao lado de grandes nomes como o de Vieira da Silva, Paula Rego ou Helena Almeida é motivo de grande honra. De facto, esta notoriedade traz consigo muita responsabilidade, visto, de algum modo, representarmos Portugal. Este reconhecimento foi-nos atribuído pelo público e representarei orgulhosamente o nosso país enquanto os portugueses decidirem que sou digna de os representar. Encaro esta missão com muita seriedade.

Enquanto mulheres, muitas vezes encontramos obstáculos na vida profissional. Alguns dos momentos mais importantes na minha carreira artística estão precisamente ligados ao facto de ter sido a primeira mulher a pisar alguns palcos: em 2005, foi com A Noiva (2001-2005) que abria a primeira exposição da Bienal de Veneza comissariada só por mulheres (em todos os seus 110 anos de história!), coincidindo também com a minha primeira participação nesta reconhecida exposição, momento em que comecei a ganhar reconhecimento internacional; mais tarde, em 2012, fui a primeira mulher e mais jovem artista a realizar uma exposição individual no tão conceituado Château de Versailles, o que veio confirmar a minha presença no cenário artístico internacional; e no ano passado, em 2018, fui o primeiro artista português (mulher ou homem) com uma exposição a solo num Museu Guggenheim. Isto traz-me um misto de sentimentos: se por um lado, sentir a conquista de ter sido a primeira em tantas ocasiões de destaque, por outro, apercebo-me de como é preocupante que em 2019 ainda haja tantos territórios artísticos por desbravar pelas mulheres. (…)

 

arqa Your career reveals the quality of Portuguese art in the international scene, especially regarding the women’s production. After Maria Helena Vieira da Silva, Paula Rego and Helena Almeida, Joana Vasconcelos is our figurehead in the context of current art, which gives you a great responsibility. Can you talk about that responsibility?

j.V. I must begin by expressing that being related with great names like Vieira da Silva, Paula Rego or Helena Almeida is a cause of great honour. In fact, this notoriety brings with it a lot of responsibility, since, somehow, we represent Portugal. This recognition has been attributed to us by the public and I will proudly represent our country as long as the Portuguese decide that I am worthy to represent them. I take this mission very seriously.

As women, we often find obstacles in our professional life. Some of the most important moments in my artistic career are precisely related to the fact that I was the first woman to step on some stages: in 2005, it was with The Bride (2001-2005) that opened the first exhibition of the Venice Biennial curated by women only (in all its 110 years of history!), coinciding also with my first participation in this recognized exhibition, when I began to gain international recognition; later, in 2012, I was the first woman and youngest artist to hold an individual exhibition at the prestigious Château de Versailles, which confirmed my presence in the international artistic scene; and last year, in 2018, I was the first Portuguese artist (woman or man) with solo exposition at a Guggenheim Museum. This brings me a mix of feelings: feeling the conquest of having been the first on so many prominent occasions, I also realize how disturbing it is that in 2019 there are still so many artistic territories to thrive for women. (…)

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Jun 2019

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