arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Editorial

por: Victor Neves |victneves@sapo.pt

O JOGO DE SOMBRAS DE UMA PAISAGEM EMOTIVA | THE SHADOWS GAME OF AN EMOTIVE LANDSCAPE

THE SHADOWS GAME OF AN EMOTIVE LANDSCAPE

A arquitetura é sempre um ato de invenção. Esta preposição pode parecer ambiciosa e até presunçosa, mas é fácil aceitá-la se partirmos do princípio que a arquitetura envolve sempre um ato de criação, mesmo quando se trata de uma reformulação de uma outra. O projeto, sendo um ato de criação envolve uma prefiguração e em muitos casos parte de um grau zero, de uma espécie de blank-state que vai evoluindo no tempo e na forma, ganhando corpo pouco a pouco. Sem cair em generalizações fáceis podemos dizer que um projeto é para o arquiteto, um filho mental, que se gera pelo pensamento e que se ajuda a crescer através do desenho até ele se tornar adulto e autónomo como um ente real, construído pedra sobre pedra, pronto para ser habitado e tomado, levado, por outros, terceiros. No entanto, sabemos que muitos projetos abortam, ficam pelo caminho antes de chegarem a esse estado adulto de “entes construídos”. Por diversas razões. O que não invalida que se mantenha no tempo uma ligação umbilical entre o arquiteto e o projeto. E que fique um sabor amargo sobre as expectativas goradas nesse filho-projeto Vem isto a propósito do projeto de João Luís Carrilho da Graça para o concurso do Museu Nacional da Resistência e da Liberdade na fortaleza de Peniche (2018), que publicámos no número 132 da arqa. Este projeto não foi premiado, ficou por ali, como acontece em muitos concursos, mas João Luís quis publicá-lo, não porque tivesse qualquer motivo de queixa sobre as decisões do júri, mas exatamente porque sentiu que aquele projeto, recente, ainda provocava emoções. Um arreliador contratempo na receção do material para edição, fez com que não fosse publicado um texto que deveria ter acompanhado a axonometria do projeto. E esse texto parece-nos interessante porque é uma formulação de sentimentos tocantes que nos fala do negro das sombras. Exatamente a antítese da festa da luz que a arquitetura normalmente celebra. (...)

Architecture is always an act of invention. This preposition may seem ambitious and even presumptuous, but it is easy to admit it if we assume that architecture always involves an act of creation, even when it is a reformulation of another. The project, being an act of creation involves a pre-figuration and in many cases part of a degree zero, a kind of blank-state that will grow in time and form, gradually gaining body. Without falling into easy generalization, we can say that a project is, for the architect, a mental son, who is mentally generated, growing through the drawing until he becomes adult and autonomous as a real being built stone on stone, ready to be inhabited and taken, by others. However, we know that many projects abort, fall by the wayside before they reach this adult state of “built entities.” For several reasons. This does not invalidate that an umbilical link between the architect and the project is maintained. And the prevalence of a bitter taste for the lost expectations of this son-project, as well. This is the purpose of the project of João Luís Carrilho da Graça for the contest of the NATIONAL MUSEUM OF RESISTANCE AND FREEDOM IN FORTALEZA of PENICHE 2018, which we published in arqa #132 issue. This project was not awarded, stayed there, as it happens in many contests, but João Luís wanted to publish it, not because he had any reason to complain about the decisions of the jury, but precisely because he felt that the project still provoked emotions. An inconvenient setback the reception of the material for editing, prevented the publishing of a text that should have accompanied the axonometry of the project. And this text seems interesting because it is a formulation of touching feelings that tells us of the black of the shadow’s blackness. Exactly the antithesis of the feast of light that architecture usually celebrates. (...)

 (…)

Mar 2019

Outros artigos em Editorial

2018 ANO EUROPEU DO PATRIMÓNIO CULTURAL 2018 | EUROPEAN YEAR OF CULTURALural HERITAGE

A filosofia subjacente à celebração do Ano Europeu do Património Cultural (AEPC) em Portugal radicou, desde o momento da sua apresentação, em setembro de 2017, na participação ativa da sociedade… 

Dez 2018

Imagem - PATRIMÓNIO, A ALQUIMIA DO TEMPO | HERITAGE THE ALCHEMY OF TIME

PATRIMÓNIO, A ALQUIMIA DO TEMPO | HERITAGE THE ALCHEMY OF TIME

Cidades e edifícios têm carácter e identidade e geram uma relação emocional com os seus utilizadores. Todos somos agentes na forma de conhecer e viver os edifícios. As cidades e… 

Dez 2018

Arquivo de Editorial