
Gosto de museus. Pela sedução que operam sobre mim e pelos problemas que colocam. Os espaços que guardam coleções, que as preservam, estudam e mostram, dando-nos a ver o insuspeitado, sempre me fascinaram. Por isso – ou talvez seja mais rigoroso dizer, apesar disso – também sempre me potenciaram muitas dúvidas em relação ao seu funcionamento e às escolhas feitas na sua programação e na sua abordagem às obras. “With great power comes great responsability” foi o aviso que o tio de Peter Parker lhe fez antes de morrer e que o Homem Aranha manteve presente nos momentos de dúvida. Mas qual a responsabilidade dos museus e de quem neles trabalha? Como abordar o passado, trazê-lo para o presente e formar o futuro – sem o formatar, diminuindo-lhe as potencialidades? E como lidar com a Arte do presente – o único tempo que temos e que, pela sua natureza elusiva, nos escapa por completo, enquanto tentamos vislumbrar o que o futuro nos trará? Como mostrar e descodificar o pensamento vivo dos artistas, o pulsar de cada tempo?
Foi o poder do museu como instrumento de comunicação que sempre me atraiu. Com a noção clara, contudo, de que tais instituições não são neutras. Institucional, pedagógica, social e politicamente determinados e determinantes, os museus têm sido os grandes veículos da norma, dizendo ao público quais os melhores momentos e quais os indiscutíveis agentes criadores de cada tempo, exigindo a nossa reverência ao escolhido e incitando ao descaso tudo o que neles não cabe ou que é relegado para segundo plano. (…)
Ao contrário do que alguns poderes mais normativos do século XIX quiseram ensinar, não vivemos só de factos e razões. Vivemos – como hoje também esclareceu a neurociência – de emoções. Só elas nos permitem avançar de modo mais seguro, tomar decisões esclarecidas, e arriscar novos caminhos. A Arte contém isso tudo. Por isso, há já médicos que receitam aos pacientes a leitura de textos poéticos ou ficcionais para resistir a depressões. Ou a visita a museus, com o mesmo benefício. Como há quem, estando no limite das suas forças, tenha como última vontade uma derradeira visita a uma pintura que amou.
Essa é a grande, a incontornável vocação dos museus e das coleções: mostrar que a Arte tem, não uma, mas muitas funções. E que a maior de todas é salvar-nos de nós mesmos. Salvar-nos a vida. É isso que os museus nos dão: colocando ao alcance de todos o que, de outro modo, só poderia ser visto por poucos. Quem é que pode não gostar de museus?
(…)Dez 2018

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