arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Design

por: CARLA CARBONE

ANDREA BRANZI “NÓS SOMOS PRIMITIVOS. ANALOGICAMENTE PRIMITIVOS”

Em 1985 Andrea Branzi escrevia aquela que seria a melhor lição de design, senão das melhores alguma vez escrita. Uma espécie de texto, ou cartilha, que serve para tudo e que , sobretudo para o design, aponta, ainda hoje, diversos caminhos projetuais possíveis, com laivos exploratórios e ressonâncias libertadoras.

Nesse ano Branzi escrevia: “Nós somos primitivos”. “Analogicamente primitivos”, porque, em simultâneo, conseguimos operar com os elementos tecnológicos mais avançados e - se tivermos sido forçados a sobreviver no mais profundo território virgem, do amazonas - conseguimos lidar com os materiais mais naturais existentes na floresta.

A exposição “Agricultura Lusitana – Aldeias de Xisto”, patente no Museu de Arte Popular em Lisboa, revela, pelos trabalhos expostos, essa capacidade de adaptação cultural dos designers e artesãos à atualidade. Os vários projetos, presentes no espaço da exposição, evidenciam a ideia de que o design e a cultura não podem continuar a seguir um único caminho ideológico. Na verdade, parafraseando Branzi, não podem “mover o mundo num caminho de salvação assente numa lógica e ética  do radicalismo”.

Mais ainda, defende que, o fenómeno da cultura e o fenómeno do design, são mecanismos que desencadeiam emoções e adaptações que falham em levar o mundo a um único horizonte. Eles apenas transformam o mundo em muitas diversidades difusas”.

Este texto é revelador do princípio de que o design, para se desenvolver e evidenciar, enquanto disciplina, não precisa de se apoiar unicamente no princípio do desenvolvimento e do progresso.

A exposição patente no Museu espoleta essa reflexão: “Os grandes teoremas unitários já não existem mais, nem mesmo os modelos líderes das teologias racionalistas” (Branzi, 1985).

Sabemos onde os grandes teoremas nos levaram. Os teoremas racionalistas unificadores que não permitiam o autóctone, o secular, a memória e a emoção, presente nos objetos. (…)

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Dez 2018

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