arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Entrevista

por: Luís Manuel Pereira | Texto Bruno Alves | Fotos

Com Guilherme de Oliveira Martins, Coordenador Nacional do Ano Europeu do Património

arqa Este ano é comemorado o ano Europeu do Património Cultural. Como coordenador nacional, pode apresentar-nos o âmbito da sua intervenção a partir do contexto nacional?

Guilherme de Oliveira Martins A preocupação fundamental como coordenador nacional foi articular com as iniciativas europeias. Os 28 membros da União Europeia, e insisto 28, porque o Reino Unido, apesar do Brexit e de o Estado não ter financiado a participação, a sociedade civil organizou-se (uma questão a assinalar!) e o Reino Unido participou ativamente. Da articulação com os restantes coordenadores, nascem as propostas que fizemos. Em primeiro lugar as escolas e a necessidade de as envolver, os especialistas e as instituições, nos diferentes níveis de ensino. Ao fim de seis meses Portugal era o país com maior número de iniciativas registadas no âmbito europeu, não só em quantidade mas também em qualidade.

Tenho sempre as maiores dúvidas em relação a estes anos comemorativos, europeus, internacionais… e por isso uma das preocupações fundamentais, nesta função que com todo o gosto assumi, foi essencialmente a deixar bases estabelecidas para participações futuras.

Relativamente a esta decisão da União Europeia, Portugal teve um papel ativo e foi o único tema que ficou definido para ano internacional comemorativo. Durante este ciclo dos órgãos europeus, não houve outros anos europeus comemorativos, a não ser o do Património Cultural. Importante sobretudo tendo em conta todas as dificuldades relativamente à relação com os outros, à compreensão do diferente. Importante também como uma oportunidade para salientar a abertura das entidades, das influências e a compreensão dos diferentes níveis de património cultural, pelo facto de eu ter coordenado, na Europa, a Convenção de Faro, sobre o valor do património na sociedade contemporânea. Esta convenção completa as convenções do conselho da europa, em relação ao património artístico, arquitetónico e cultural, em sentido geral, e completa as convenções de La Valetta, de Granada e de Florença. A Convenção de Faro mostrou que falar do Património Cultural não é falar de uma realidade retrospetiva, não é falar do passado, é falar de uma memória viva e que envolve património construído, património imaterial, património natural, a preservação da paisagem, o património digital e, particularmente importante, envolve a articulação com a criação contemporânea. Trata-se não apenas do estudo do que recebemos, mas também do diálogo permanente com os criadores e com todos quantos, na criação contemporânea, acrescentam valor à herança das gerações anteriores. Por isso quisemos articular a reflexão dos especialistas, o progresso científico e técnico, na salvaguarda e preservação do património, e, simultaneamente, a preparação das gerações mais jovens, incluindo as crianças, relativamente à ligação que devem ter ao Património, não apenas ao próximo, mas também ao mais distante. Por isso as escolas são chamadas, já o foram este ano letivo e, em Portugal, vamos prolongar a iniciativa ao próximo 2018/19. (…)

 

 

 

arqa This year is celebrated the European Year of Cultural Heritage. As the national coordinator, can you present the scope of your intervention from the national context?

Guilherme de Oliveira Martins The fundamental concern, as national coordinator, was to be articulated with the European initiatives. The 28 members of the European Union, and I insist 28 because the UK, despite that the Brexit and the state did not fund a participation, civil society has organized itself (an issue to be pointed out!), and the United Kingdom participated actively. The proposals we made were born from the articulation with the other coordinators. First, schools, and the need to involve them, specialists and institutions, at different levels of education. Six months later, Portugal was the country with the greatest number of initiatives registered inside the European sphere, not only in quantity but also in quality.

I always have the biggest doubts about these commemorative years, European and international ... then, one of the fundamental concerns in this role, that I gladly assume, was essentially to leave established bases for future participation.

Regarding this decision of the European Union, Portugal played an active role and this theme was the only that has been set for international commemorative year. During this cycle, there were no other European commemorative years, other than the Cultural Heritage. This is Important, especially because of all the difficulties in relating to others and understanding differences. Important also, as an opportunity to highlight the openness of entities, influences and understanding of the different levels of cultural heritage.

Portugal, i was saying, played an active part in the proposal, particularly in the context of europa nostra, also because i coordinated the Faro Convention, that was about the value of heritage in contemporary societies. This convention complements the conventions of the European Council regarding the artistic, architectural and cultural heritage in a general sense, and completes the conventions of La Valetta, Granada and Florence. The Faro convention has shown that talking about cultural heritage is not talking about a retrospective reality, it is not talking about the past, it is talking about a living memory that involves built heritage, intangible heritage, natural heritage, landscape preservation, digital heritage and, particularly important, involves articulation with contemporary creation. It is not only the study of what we have received, but also the permanent dialogue with the creators and with all those who, in contemporary creation, add value to the heritage of previous generations. That is why we wanted to articulate the thinking of the experts, scientific and technical progress, in the safeguarding and preservation of the heritage, and at the same time preparing the younger generations, including children, with regard to the connection they should have to heritage, not only to the next, but also to the farthest. That is why schools are summoned - they have already been this year – and in Portugal we will extend the initiative to the next year 2018/19 (…)

 

 

 

 

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Dez 2018

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