arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Entrevista

por: Victor Neves | Texto Michael Zeca | Fotos

Com Paula Araújo, Diretora-Geral do Património Cultural

Paula Araújo Uma política nacional para o Património envolve a participação de todos, numa dinâmica de rede descentralizadora e inclusiva. Em matéria de projetos estruturantes, a Direção-Geral avança em três frentes: o fecho da ala poente do Palácio Nacional da Ajuda, que acolherá o Museu das Joias da Coroa, a reabilitação dos armazéns de uma antiga fábrica em Xabregas, para instalação de um centro de referência em Arqueologia Náutica e Subaquática e a criação do Museu Nacional da Resistência e da Liberdade na Fortaleza de Peniche. (…) O Ano Europeu do Património Cultural foi determinado pela União Europeia e foi visto por nós com grande satisfação, na medida em que chama a atenção para a importância do Património e consciencializa as pessoas, a sociedade em geral para esta importância. O movimento que se gerou, de um grande conjunto de atividades à volta do tema, que abrange muitos patrimónios, não só o arquitetónico, foi nesse sentido da consciencialização, também ao nível da formação, nomeadamente dos mais jovens. Em Portugal decorreram e estão ainda a decorrer um grande número de iniciativas e isso vai seguramente refletir-se nos próximos anos, na atenção crescente ao Património. (…)

 

arqa O fecho da ala poente do Palácio Nacional da Ajuda, também a publicar nesta edição…                                       

 

Paula Araújo Sim, que nunca chegou a ser fechada antes, o projeto inicial nunca foi acabado. Agora vamos fazê-lo e criar um novo museu. Não se trata propriamente de uma extensão do Palácio, mas sim de um museu, com uma estrutura própria, onde se vão expor as joias da coroa, que têm estado fechadas no cofre de um banco… sem qualquer visibilidade. Simultaneamente, a DGPC está terminar um outro projeto que consiste na recuperação patrimonial dos armazéns de uma antiga fábrica do tabaco, em Xabregas, adaptando o espaço para acolher as novas instalações do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS). Trata-se igualmente de um projeto estruturante, que dotará enfim o CNANS de uma sede própria e de condições condignas ao exercício da sua atividade, nomeadamente na área da investigação e da preservação do seu notável acervo. Falamos de um país com uma imensa faixa costeira, em que as saídas são feitas por mar desde o século XIII ou XIV…. Existem ainda outros projetos, que não sendo para concretização imediata, deverão inscrever-se no quadro comunitário 20/30. Desse conjunto, há pelo menos três que já têm algum pensamento: Mosteiro dos Jerónimos, Museu Nacional de Arte Antiga e Museu Nacional de Arte Contemporânea.  (…)

 

 

PA Os planos de gestão devem ter em conta o “todo”, o contexto, a envolvente. É necessário pensar no conjunto, atendendo à tipologia, ao território ou a um determinado eixo de ligação (pode ser um rio, uma montanha). Todos estes elementos criam identidade e uma força própria. O património não pode ser pensado isoladamente. (…)

 

(…) A national heritage policy involves everybody participation, in a dynamic of decentralizing and inclusive network. In terms of structuring projects, Direção-Geral goes on three fronts: the closing of the west wing of Ajuda National Palace, which will house the Crown Jewelery Museum, the rehabilitation of the warehouses of an old factory in Xabregas, for the installation of a reference center of Nautical and Underwater Archeology and the creation of the National Museum of Resistance and Freedom, in Peniche Fortress. (..)   In my opinion, we must mark the contemporaneity, that is, I understand that everything we do leaves a sign. I consider that these interventions must respect the primary heritage which is the issue of intervention. They must not overlap, they must   be completed  (...)    Management plans must consider the whole, the context, the environment. It is necessary to think about the whole, given the typology, the territory or a certain axis of connection (it can be a river,  a mountain). All these elements create themselves an identity and a force. Heritage cannot be thought  of as isolated. (...)”

 (…)

Dez 2018

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Set 2018

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