arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Editorial

por: Vítor Neves | victneves@sapo.pt

[GEO]GEOMETRIA | [GEO]GEOMETRY

Espaço, luz, tempo são elementos essenciais que a arquitetura usa e manipula sistematicamente, em conjunto com outros mais específicos e menos abstratos como a função, a materialidade, a textura, a economia, etc. No entanto, no final, está sempre uma forma. É a forma - seja ela construída ou não - que deixa a marca da arquitetura no território, na terra (Geo). Pedra sobre pedra.
Ora, o principal instrumento que o arquiteto pode usar para criar forma é a geometria. Para ser mais correto as geometrias, porque podem ser muitas e variadas: às geometrias ortogonais e cartesianas que nos são mais familiares , podem-se juntar as geometrias orgânicas , as geometrias angulares usadas nos recintos sagrados da Antiguidade Grega (e que Doxiadis apelidou de geometrias de coordenadas polares), as geometria dos fractais , já para não falar das geometrias sagradas ou iniciáticas das
mandalas ou dos traçados harmónicos, do retângulo de ouro, etc. (..) Na entrevista que a arqa publica neste número com João Luís Carrilho da Graça, ele afirma o seguinte. Diz ele: “Quando eu tento por vezes explicar aquilo que estou a tentar fazer refiro-me a duas questões que são: por um lado a descoberta de cada um dos sítios em que podemos intervir e que em qualquer ponto do planeta, são sempre fascinantes e extraordinários. E essa espécie de possibilidade de revelar um sítio, que em muitos
trabalhos -inclusivamente nos últimos de forma mais nítida - é um objetivo fundamental”. E mais à frente: “(…) esta segunda questão do mínimo possível de meios, que é uma questão que sempre me interessou desde início, também se pode ligar com a questão da geometria. O mínimo possível de meios pressupõe que nós podemos -ao querer demolir ou construir seja o que for - conseguir o mínimo possível, mas isso tem que ajudar a intensificar o que existe (…)”.


Space, Light, and Time are essential elements that architecture uses and manipulates systematically, together with more specific and less abstract ones such as function, materiality, texture, economy, etc. However, in the end, there is always a Form. It is the form - whether it is built or not - that leaves the mark of architecture in the territory, on earth (Geo). Stone on top of stone. The main instrument the architect can use to create form is geometry. In order to be more correct the geometries (plural), because they can be many and varied: to the orthogonal and Cartesian geometries that we are more familiar, we can join the organic geometries, the angular geometries used in the sacred enclosures of Greek Antiquity (which Doxiadis called geometries of polar coordinates), the geometry of fractals, not to mention the sacred or initiatory geometries of mandalas or harmonic tracings, the golden rectangle,
etc.(…) n the interview that the ARQA publishes in this issue with João Luís Carrilho da Graça, he states the following: “When sometimes I am explaining what I am trying to do, I refer to two questions that are: on one hand the discovery of each of the sites in which we can intervene and that anywhere on the planet, are always fascinating and extraordinary. And that kind of possibility of
revealing a site, is a fundamental objective in many projects - including the latest ones.” And further on: “(...) this second question of the least possible means, which is an issue that has always interested me from the beginning, can also be linked to the question of geometry. The least possible means that we can -either when we want to demolish or build whatever-get the minimum possible, but that has to help intensify what exists”.

 (…)

Set 2018

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