arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Design

por: Carla Carbone

Novas gerações - Novos Paradigmas

Cada material potencia, e gera, uma determinada forma e, desse modo, o designer, atento ao que o material comunica, desenha em função, também, desse mesmo material, de forma natural, sem tentar enquadrá-lo em tipologias várias, ou forçá-lo a ir contra a sua própria natureza.
Uma das características que se pode observar nos designers da nova geração é a sua atenção para com os materiais. O que podem dar, a expressão que potenciam, as funcionalidades que originam. Numa perspetiva mais minimalista, do material em bruto, escuta-se a sua natureza, na forma mais subtil, opta-se por estar mais atento ao seu silêncio. Ao silêncio do material, ao que lhe é intrínseco.
Na verdade, como diriam Peter e Charlotte Fiell, a propósito de Ross Lovegrove, sobre a atenção dada aos materiais, trata-se de saber detetar as suas qualidades poéticas. Cada material potencia, e gera, uma determinada forma e, desse modo, o designer, atento ao que o material comunica, desenha em função, também, desse material, de forma natural, sem tentar enquadrá-lo em tipologias várias, ou forçá-lo a ir contra a sua própria natureza. Segundo Peter e Charlotte Fiell, é como que ficar atento ou focar-se nas propriedades técnicas, estéticas e
funcionais, que cada material fornece. Se estamos mais atentos ao comportamento dos materiais, à sua forma natural, vamos gerar novos modos de ver, novos modos de dar forma, novas estéticas, reequacionando as já existentes. Num certo sentido é deixar fluir. Deixar o material “falhar”, ou aquilo que consideramos falhar. Abraçar o erro ou aquilo que parece, à partida, errado. Acarinhá-lo porque será justamente esse erro que dará pistas para novos caminhos. Em conversa com Vítor Agostinho, aquando da inauguração da exposição Polaroid, na Lisbon Gallery – Design & Architecture, falou-se justamente nesse erro e em permitir que o erro e a falha ditem resultados, que tornem cada peça diferente da outra. O grande problema
inicial na prática do design industrial foi mesmo esse, o não permitir a tal bolha ou mancha, o erro que se formava à superfície dos objetos em cerâmica, por exemplo, e que os tornava únicos. (…)

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Jul 2018

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