arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Design

por: CARLA CARBONE

OBJETO PERSONALIZADO NOVOS SIGNIFICADOS

No enquadramento do consumo, os objetos surgem num manancial de escolhas possíveis, que podem, segundo o mesmo autor, ultrapassar a mera função pura (que é a função de responder à necessidade primária para a qual foi inicialmente concebido), e se estender na procura de uma satisfação pessoal ou emocional. Baudrillard entende que: "Não temos mais a possibilidade de não escolher e simplesmente comprar um objeto em função do uso - nenhum objeto hoje se propõe assim no "grau zero" da compra".
Baudrillard cita Stuart Mill quando refere que o facto de poder escolher um objeto de consumo não torna esse ato um ato de liberdade, dado que ao fazer escolhas está a inserir-se num quadro económico específico e a prestar "um serviço social".
No contexto industrializado, de série, os objetos ja são concebidos para conter esse extra que confere aos utilizadores o sentimento/ideia de união, de objeto personalizado. Assim como a ideia de liberdade de escolha, dado que há vários tipos de objetos, com a mesma função primária.
Segundo Baudrillard: «Ao multiplicar os objetos, a sociedade desvia para eles a faculdade de escolher e neutraliza assim o perigo que sempre constitui para ela esta exigência pessoal».
De forma subtil, o autor acaba por enfatizar a ideia de que a personalização dos objetos em série, ou das supostas categorias de personalização dos objetos produzidos industrialmente, encaminham as pessoas a cumprir papéis, estatutos, posições em sociedade, de maneira a "melhor integrar essas pessoas". Indo mais longe, aproveitando o raciocínio de Baudrillard, podendo mesmo controlar os gostos e as escolhas das pessoas. (...)  (…)

Dez 2017

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