

características naturais, que nos levam invariavelmente à constatação do facto de que estarmos a
intervir num sistema mais alargado, que devemos compreender previamente, de forma a poder
garantir deixar essa sua continuidade intacta, para que possa ser potenciada e fruída. Há, por
outro lado, as características físicas das transformações humanas a que este lugar foi
anteriormente sujeito, sejam de natureza agrícola ou construída, e que nos levam a ponderar
sobre o seu valor cultural intrínseco enquanto património humano, ao qual se pode ou deve
eventualmente dar relevo na resposta de projeto. Estas são provavelmente as constantes das
nossas abordagens prévias a qualquer lugar de projeto e em geral entendemos que é
responsabilidade básica da arquitetura saber fazer a ponte entre elas.
arqa No processo de pensar e construir objetos arquitetónicos as maquetas assumem-se como
ferramentas fundamentais de figuração, configuração e reconfiguração. Como se cruza o método
e o consequente processo nas obras dos ARX?
ARX As maquetas são desde logo objetos físicos e matéricos, construídos com uma técnica
específica, de acordo com determinadas escolhas de materiais. Nesse aspeto são muito
semelhantes aos edifícios e muito diferentes dos desenhos bidimensionais e dos renderings, que
sendo representações tridimensionais, também são impressos sobre papel plano. As maquetas
registam e emulam algumas características que estão próximas dos lugares naturais, do seu
edificado ou do pensamento num sentido mais lato. Podem por outro lado escolher suprimir
algumas outras características, porque são seletivas naquilo que escolhem representar.
O espectro de funções que a maqueta desempenha nos nossos projetos é muito alargado e varia
muito de projeto para projeto e das suas diferentes fases. Fazemos maquetas de esquisso, como
fazemos de detalhe. A sua presença nos nossos processos de projeto é impulsionada pelo
cruzamento cíclico com o desenho nas suas várias formas, sejam os esquissos iniciais, os
desenhos mais rigorosos ou os detalhes. Frequentemente é o desenho que impulsiona uma
determinada sequência de maquetas.
A muitos níveis e em certas fases do projeto, constatamos que os desenhos têm certas limitações
enquanto territórios de conceção e de representação, revelando-se por vezes substancialmente
opacos. Aqui, frequentemente, a maqueta consegue ser uma ferramenta mais eficaz, com um
maior alcance projetual, tanto em fases de teor mais conceptual, como mais adiante, em fases
mais verificadoras. Mas são ferramentas que para nós funcionam sempre de forma recíproca,
numa constante relação de simbiose. (...)
Dez 2017

FLORIAN IDENBURG, ARQUITETO INTERNACIONAL COM MAIS DE DUAS DÉCADAS DEEXPERIÊNCIA, É UM DOS FUNDADORES DO ATELIER SO-IL, EM NOVA IORQUE. TEM UMPERCURSO PROFISSIONAL MUITO LIGADO A ESPAÇOS INSTITUCIONAIS, TENDO LIDERADOPROJETOS…
Nov 2020

arqa (1) O título da presente edição da ARQA é “(NON) urban”. Que comentário lhe sugere este título no contexto de uma transurbanidade que, aparentemente, já não distingue o que…
Mar 2020