arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Artes

por: António Cerveira Pinto

Entre o líquido e o sólido na fotografia de Axel Morin

Palácio de Cristal, Londres, 1851, The Home Insurance Building, Chicago, 1855, Industrial Housing, Chicago, 1910-1930 — três dos principais marcos de uma trajetória que nada nem ninguém explicou melhor do que este anúncio de 1919: ”Aladdin Services: a complete home or a complete city”. Que têm em comum estes três ícones da cidade moderna? O vidro industrial. O vidro é um material através do qual sou visto, e através do qual vejo, que deixa passar a luz, que queima a humidade e apaga os bolores acumulados nos espaços interiores, uma superfície omnipresente, mas que não deixa de se esconder na sua própria transparência. O vidro que permitiu inundar de luz natural as cidades a partir de meados do século 19, começou por ser uma resposta à necessidade de diminuir os custos de iluminação em dezenas de milhar de fábricas e oficinas que trabalhavam dia e noite. Foi também uma maneira de ajudar a superar as crises sanitárias causadas pela ‘segunda revolução industrial’ (1870-1914), nomeadamente em cidades tumultuosas e com grande afluência de imigrantes, como Nova Iorque, Chicago ou Filadélfia. Desde que uma tal emergência gerou a oportunidade para a produção maciça de vidro aplicável em empresas e edifícios de habitação, nunca mais este misterioso material que nem é líquido, nem sólido, nos abandonou. O Pirex de 1908, o vidro superfino dos LCD dos atuais televisores, ecrãs de computador e ‘smartphones’, sucessivamente desenvolvidos por Clint Shay (1964) e pela Corning (1970-1980), passando pelas grandes lâminas de ‘float glass’ desenvolvidas pela Pilkington desde 1953-1957, e que recobrem a maioria dos centros de negócios das grandes cidades, ou os milhares de milhões de lentes utilizadas em óculos, binóculos, telescópios, microscópios, e objetivas para fotografia, cinema, video, testemunham até que ponto o vidro faz parte da vida moderna.  (…)

Set 2017

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