
Na edição anterior da Trienal de Arquitectura de Lisboa, com curadoria de Beatrice Galilee, avançávamos, neste mesmo espaço de editorial,1 com uma interpretação do evento a partir da proclamação de 1968 de Hans Hollein de que “Tudo é Arquitectura.”2 Nesse manifesto encontrávamos a genealogia disciplinar das ideias que estavam por trás de Close, Closer. Para a introdução da edição da Trienal de Arquitectura de Lisboa deste ano, com curadoria de André Tavares e do recentemente falecido Diogo Seixas Lopes, recuamos um pouco no tempo e convocamos um manifesto anterior de 1962 do mesmo Hans Hollein, em parceria com Walter Pichler, intitulado “Arquitetura Absoluta”: “A arquitetura é uma ordem espiritual, realizada através da construção. (...) A arquitetura não tem finalidade. O que construirmos encontrará a sua utilização. A forma não segue a função. A forma não emerge do seu próprio acordo. É a grande decisão do homem fazer um edifício como um cubo, uma pirâmide ou uma esfera. A forma em arquitetura é determinada pelo indivíduo, é forma construída.”3 A “arquitetura absoluta” é aqui uma arquitetura “pura”, não determinada pela história, técnica, função, linguagem, matéria ou lugar. Se ao longo da história, a forma foi sempre legitimada pela determinação exterior da arquitetura, a sua passagem ao “absoluto” pressupunha uma libertação radical dessa influência e dependência. No entanto, para Hollein e Pichler, esta “arquitetura absoluta” não se aproximava da forma abstrata, de pendor idealista e racional, mas em “forma construída”. Essa dimensão da construção e da matéria manifesta-se nos adjetivos utilizados pelos autores, remetendo-nos para um lado mais visceral e enigmático, ou seja, uma arquitetura que é “elementar, sensual, primitiva, brutal, terrível, sagrada, dominadora”. Algo desta conceção da forma de Hollein e Pichler transparece agora em A Forma da Forma.
(…)Dez 2016

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