A revista de arquitetura e arte, arqa, fez 16 anos. Celebramos este percurso desde 2000 com outro número especial, o segundo de um duplo volume, convocando os 121 números anteriores sob a forma de um dicionário temático. Uma antologia construída com as contribuições, participações e colaborações que passaram pela revista das mais diversas formas e em diferentes formatos. É por isso um dicionário plural e heterodoxo habitado pelas múltiplas vozes e obras que foram atravessando esta publicação. O dicionário arqa 2000-2016 é, antes de tudo, o tributo que lhes prestamos. A nossa motivação está no assinalar do aniversário da arqa, fazendo uma retrospectiva panorâmica da história da revista. A questão fundamental estava em como fazê-lo. Como se convoca um arquivo? Qual a estratégia de selecção e estruturação desse material disponível? Sabíamos que tudo se jogava nessa definição da abordagem a seguir, que não fosse uma mera recuperação nostálgica de um passado, nem uma mera celebração ilustrativa dos momentos vividos. Queríamos construir algo com esse legado de mais de década e meia, produzir algo novo com o que já existe. Pretendíamos que olhasse o futuro, a partir do trabalho realizado, tendo em conta o percurso percorrido. Procurámos ainda reunir material essencial, de uma forma acessível e apelativa, para quem só recentemente chegou à arquitectura ou ao contacto com a revista. Neste sentido, este é um instrumento crítico não só de redescoberta do material anteriormente editado, mas também de síntese a uma nova luz. Depois das direcções de Victor Neves e Laura Espejo Escorial, quando assumi a direcção há uma década atrás, precisamente em 2006, propus uma abordagem temática para a revista, que não mais se perdeu até hoje, para a interrogação e investigação da condição da arquitectura contemporânea. Foi de facto essa orientação editorial que esteve na base da estratégia de trabalho sobre o arquivo que agora se volta a concretizar neste segundo número especial. Construir um dicionário temático tornou-se assim a opção natural, um caminho lógico e sustentado. Um dicionário que apesar de encontrar naturalmente pontos de apoio em números temáticos particulares, que funcionam como âncora, não deixa de se expandir e contaminar pela rede criada de temas tratados, permitindo novas ligações e conexões entre o material compilado e disponível. Os temas contaminam-se, atravessam-se e cruzam-se, criam afinidades e proximidades, potenciando novas leituras e interpretações críticas. Em suma, apresentamos aqora o segundo volume deste dicionário com 19 novas entradas temáticas, em sequência das 18 entradas do primeiro volume do número anterior. O resultado é uma edição especial em dois volumes a múltiplas vozes, que nos oferece uma perspectiva plural dos grandes debates da arquitectura contemporânea.
Um dicionário que se assume como base de investigação, exponenciando o já extenso arquivo da revista arqa. Convidamos-vos agora a reentrar nele e explorá-lo no sentido que melhor vos seja útil. Um momento de confluência do passado que se espera possa contribuir para abrir novos horizontes e trajectórias futuras no mundo da arquitectura.
Set 2016

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