arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Editorial

por: Luís Santiago Baptista

Portugal Habitacional

O habitar entre as perspetivas críticas e as estratégias participativas

1. A questão do habitar em Portugal tem estado em particular evidência nos últimos anos. Os sucessivos olhares do Habitar Portugal, as representações nacionais em bienais e trienais, os eventos em volta do processo SAAL e a investigação histórica da presença da arquitetura portuguesa em África, Brasil e mesmo Macau, mostram que o tema da habitação reentrou em força no debate disciplinar. Mas, por outro lado, a este facto não será estranho à crise dos últimos anos, uma vez que a questão habitacional reemerge em períodos de recessão económica e social. Da ausência de promoção de habitação social à situação expectante do mercado imobiliário, um sentido de inércia vai-se manifestando, com implicações dramáticas para a arquitetura. Não apenas aquelas relacionadas com o estatuto da profissão, mas igualmente as que revelam uma impossibilidade de transformação concreta da cidade e do território. A percentagem significativa tanto do negligente estado devoluto do parque habitacional como do irresponsável excedente de oferta de habitação, construída ou planeada, são factos que atestam, por vias antagónicas, a perda de um campo de ação fundamental do arquiteto. Os arquitetos são cada vez mais espectadores de uma degradação do habitar quotidiano e testemunhas da rarefação do seu papel qualificador. Apesar dos problemas transcenderem naturalmente a arquitetura, o arquiteto não deixa de ter de enquadrar a sua atividade perante este estado de coisas. A nossa formação de base moderna impele-nos a isso. A este nível a reabertura do debate em torno do processo SAAL é um facto de grande relevância. Debate esse crucial mas inevitavelmente problemático na atual conjuntura, não só ideológica mas também disciplinar. A verdade é que o SAAL tem servido, sob diversas formas, como referência numa série de importantes eventos. Se a recente exposição O Processo SAAL em Serralves tinha tido uma primeira aparição na Trienal de Arquitetura de Lisboa de 2010, ambas com curadoria de Delfim Sardo, na representação portuguesa na Bienal de Veneza de 2014, comissariada por Pedro Campos Costa, a genealogia do SAAL volta a ser explicitamente convocada. No entanto, as interpretações do SAAL estão longe de estar estabilizadas, o que nos diz mais das dúvidas do presente do que das convicções do passado. 

 (…)

Mar 2015

Outros artigos em Editorial

Imagem - A CASA NA ERA DAS PANDEMIAS

A CASA NA ERA DAS PANDEMIAS

Diretor, Victor Neves, victneves@sapo.pt Neste tempo de clausura forçada por um vírus homicida, a nossa casa revelou-se muito limitada. Pequena de espaço, pequena de horizontes, pequena para absorver os nossos… 

Jul 2020

Imagem - [NON] URBAN

[NON] URBAN

victneves@sapo.pt NON-URBAN: AS CONTRADIÇÕES DA URBANIDADE NON- urbano significa a negação do urbano. E urbano significa aquilo que é próprio da cidade, mas também pode significar, indiretamente, um espaço que… 

Mar 2020

Arquivo de Editorial