arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Editorial

por: Luís Santiago Baptista

Práticas-emergentes.pt

Jovens arquitetos portugueses em tempos de crise

1. Depois do programa geração z, desenvolvido pela arqa entre 2007 e 2011, voltamos a centrarmo-nos nas práticas arquitetónicas portuguesas emergentes. A inexorável passagem do tempo recoloca constantemente a questão dos novos ateliers. Porém, as circunstâncias em que o fazemos serão hoje outras, fruto da investigação que levámos a cabo. Significativamente, fechámos o programa com a constatação da impossibilidade de constituição geracional, implícita na utilização da letra Z: "Uma das nossas primeiras intuições foi que a última letra do alfabeto seria perfeita porque colocava na mesa o espectro do fim. E esse fim (...) passava pela própria dissolução ou desintegração da questão geracional. Ao fim e ao cabo, propusemos a hipótese de uma geração que testemunhava o eclipse da lógica geracional." Concluíamos depois: "Se algo, no âmbito do programa geração z, pode ser comprovado pelos cadernos elaborados pelos ateliers, pelos números temáticos da revista e pelas exposições e conferências é o quase total alheamento, distanciamento ou desinteresse pela constituição de um qualquer corpo unitário, de uma eventual plataforma comum ou de um possível programa sintético, que foi, diga-se, ao longo da modernidade, condição necessária à constituição histórica de uma geração. Não pode haver geração sem autoconsciência, portanto sem vontade coletiva e intencionalidade programática. A geração z será talvez uma geração potencial que não se interpreta e assume como geração. Neste sentido, poderíamos dizer que, ao falhar, a geração z confirma-se."1 A abordagem das novas práticas que aqui lançamos liberta-se da problemática geracional. Sintomaticamente, a recente exposição "Tanto Mar", comissariada pelo Ateliermob, e a representação portuguesa na Bienal de Veneza "Homeland", com curadoria de Pedro Campos Costa, afastam-se, mais ou menos explicitamente, do argumento geracional.2 Limitamo-nos assim a apresentar práticas de arquitetos portugueses nascidos depois do início da década de oitenta. Ateliers estes bastante diferentes nas abordagens, perante um contexto de crise profissional generalizado. Por isso, a sua presença será aqui convocada, antes de tudo, como um ato de bravura e convicção disciplinar.

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Jul 2014

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