

1. Há poucos dias, mais precisamente na manhã de 23 de Maio, deflagrava um incêndio na Escola de Belas-Artes de Glasgow, obra-mestra do arquiteto Charles Rennie Mackintosh, construída entre 1897 e 1909. Na sua dimensão trágica, este não é um acontecimento irrelevante quando nos propomos trabalhar sobre o tema das intervenções contemporâneas no património moderno. O impacto da notícia é tão maior quanto o facto da Escola se ter mantido em pleno funcionamento ao longo de mais de um século, cujo polémico recente edifício de ampliação de Steven Holl se apresenta como uma tentativa de dar um novo fôlego, aumentando o espaço disponível e reorganizando o seu programa. O edifício de Mackintosh, cuja magnífica biblioteca parece ter escapado a danos de maior, é um exemplo de apropriação continuada, mantendo este património insubstituível permanentemente vivo. Este acidente trágico, que deliberadamente trouxemos à capa, confronta-nos e interroga-nos. O que implica a preservação do legado da arquitetura moderna? Qual o papel dos arquitetos contemporâneos nessa tarefa? A verdade é que os mestres modernos marcam indelevelmente o nosso território físico e mental. A sua presença manifesta-se nas obras que nos legaram, verdadeiros testemunhos materiais dos desafios que a disciplina enfrentou ao longo da modernidade. Mas, perante as transformações nas sociedades contemporâneas, temos a sensação que a preservação deste património se torna hoje tão premente quanto problemática.
(…)Jun 2014

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