

A experiência espacial do silêncio ganhou um novo ímpeto com a modernidade arquitectónica. Num certo sentido, toda a arquitectura moderna passou pela tentativa de infusão de espaços de silêncio num território metropolitano estruturalmente instável e mutável. Existe de facto um silêncio subliminar nas principais obras modernas, de Adolf Loos a Louis Kahn, que conjuga uma concepção pacificadora do espaço, considerado regrado e racional, com uma redução da linguagem arquitectónica, tornada pura e abstracta. Cortando violentamente com a tradição, os arquitectos modernos procuraram instaurar um novo silêncio espacial que restabelecesse em novos termos o equilíbrio entre a arquitectura e a vida. Um silêncio duplo, fenomenológico e linguístico, revelado numa nova configuração universal do espaço, sem memória referencial e sem significados metafóricos.
Esta atracção continuada pelo silêncio moderno pode ser comprovada pelo impacto que o minimalismo teve nas últimas décadas na arquitectura. A minimal art desenvolvia uma nova concepção com fortes repercussões no campo da arquitectura, através da mudança de foco do objecto autónomo para as relações entre este e o espaço envolvente. A atenção não estava mais no objecto em si mas antes na experiência contextual por ele despoletada. A arquitectura de Inês Lobo e Sou Fujimoto continua, por caminhos diferentes, essa pesquisa moderna do silêncio. Se a arquitecta portuguesa enfrenta a complexidade do território contemporâneo, clarificando projectualmente uma realidade vivencial existente, o arquitecto japonês remete para a condição primordial da arquitectura, numa investigação prospectiva do domínio pré-disciplinar. Com um acento respectivamente mais contextual e mais conceptual, ambos acreditam que a arquitectura detém uma linguagem própria, liberta de significados exteriores ou prévios. Para estes arquitectos, a experiência arquitectónica está atravessada por um silêncio que não nega nem se opõe à complexidade e pluralidade da realidade. Por isso, os seus silêncios espaciais não são um escape mas a manifestação de um potencial inexplorado.
Fev 2009

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