
Gonçalo Furtado: A cultura arquitectónica nas últimas décadas foi marcada, entre outras, pela perspectiva Anglo-Saxónica e Italiana, etc. Desde a tua formação, a arquitectura Anglo-saxónica constituiu uma referência importante.
Juan Herreros: Nos finais dos anos 70 e princípios dos 80, toda a educação arquitectónica em Espanha estava influenciada pelas correntes Italianas do momento. Só um pequeno grupo de professores em Madrid tinha informação sobre o contexto Anglo-Saxónico. Entrei em contacto com os nomes da arquitectura Inglesa, através desses professores, e tornaram-se companheiros ao longo dos meus estudos.
GF: Referes-te tanto à arquitectura Inglesa como à Americana?
JH: Sim. Progressivamente fui reconstruindo as linhas que uniam os movimentos radicais Britânicos com alguns aspectos da arquitectura Americana, tal como a disciplinas alheias à arquitectura. Para mim, o mais importante nesses arquitectos, era que permitiam a entrada no seu trabalho a disciplinas não estritamente “arquitectónicas” e que me interessavam em particular.
GF: A disseminação da cultura arquitectónica esteve, sobretudo desde dos anos 60, fortemente baseada nos mass-media. Calculo que havia algumas revistas excepcionais?
JH: Entre as revistas Espanholas, salientaria a “Nueva Forma”, que é anterior à minha formação (a minha “carrera” começou em 1975, coincidindo com o fim da ditadura) mas à qual tive acesso desde muito cedo. Aí já se havia dado conta dos fenómenos arquitectónicos que emergiam naquela altura. Realizou em Espanha o primeiro número sobre Metabolismo; Arquitectura Orgánica; sobre Stirling, Archigram; sobre as relações entre arquitectura e arte; sobre arquitectos espanhóis implicados com aspectos cibernéticos, etc. Trata-se de uma revista que sempre manteve uma linha vanguardista e de excepção durante aqueles anos. Desde a Argentina chegava a revista “Summa” (que não entendíamos como “estrangeira”), a qual traduzia directamente muitos textos da “AD” e na qual se publicaram os Smithsons, Price, Archigram... e também havia alguns “cronistas” como Mariano Bayón, professores como Francisco Alonso ou Sáenz de Oíza aos quais sempre tinha interessado esse contexto.
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