arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Artes

por: David Santos

Donald Judd

Formalismo Pós-moderno

De 1959 a 1965, por entre os estudos de filosofia e história de arte na Art Students League e na Columbia University, Donald Judd escreve com regularidade textos de crítica de arte em revistas especializadas, ao mesmo tempo que investe numa prática pictórica assente na reflexão disciplinar, influenciado desde logo pela tendência “objectual” promovida pela chamada “abstracção pós-pictórica”. Os seus trabalhos de então utilizavam colagens de materiais como areia ou madeira, introduzindo, desde logo, uma sugestão tridimensional na pintura. Na verdade, esse procedimento estaria na génese da intenção minimalista, pois promovia ao mesmo tempo, para lá da ideia de “objectualidade”, uma diluição ndos limites disciplinares identificados entre a pintura e a escultura.

Os primeiros “objectos específicos” (nem pintura, nem escultura), apresentados logo em 1963, na Green Gallery de Nova Iorque, resultaram assim de um processo rápido e lógico que introduziu na arte norte-americana um conjunto de questões decisivas e ainda hoje operantes sobre a relação da obra com o espaço envolvente e a acção do próprio observador.

Com efeito, a especificidade dos objectos e a sua “instalação” no “white cube” da galeria tornava incontornável a assunção de outras duas especificidades essenciais a partir daí na comunicação da obra de arte: por um lado, o lugar onde a obra se apresenta e, por outro, o tempo da recepção operada pelo seu observador, acentuando a responsabilidade deste, não só no processo de significação, como na própria existência real da obra. Deste modo, a obra de arte existe na exacta medida da temporalidade e da experiência do receptor. Afinal, é essa recepção que activa e confirma o valor da obra. Ou seja, o facto da arte minimalista promover, quase em absoluto, uma experiência que depende, a partir do conceito e prática da “instalação”, de um “aqui” e “agora” irrepetíveis, introduz uma série de profundas transformações não só ao nível da ontologia da arte, isto é, ao nível da sua essência, como da sua prática disciplinar, apelando desde logo a uma verdadeira interdisciplinaridade, ao cruzar, na especificidade objectual da “instalação”, pintura, escultura e arquitectura. Diríamos mesmo que, com o minimalismo, a arte entra numa nova dimensão e significado. A novidade essencial dessa transformação, instauradora de um novo paradigma na arte contemporânea, é a assunção do tempo presente, fazendo com que a obra e o observador partilhem um tempo e um espaço específicos. Essa especificidade produz assim um novo conceito até aí pouco associado à obra de arte: o efémero.

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Fev 2009

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