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Os Espacialistas ocupam o novo livro de Gonçalo M. Tavares

No contexto do seu muito particular modo de ocupação do espaço, o coletivo de arquitetos/artistas Os Espacialistas ilustram o Atlas do Corpo e da Imaginação, o novo livro de Gonçalo M. Tavares.
O escritor tem já colaborado em vários projetos com Os Espacialistas e aqui eles são os autores das imagens que habitam este Atlas. O livro nasceu da tese de doutoramento de Gonçalo M. Tavares e constitui-se como uma coleção de "teoria, fragmentos e imagens". O texto é uma colecção de escritos filosóficos e reflexões, que cruza muitos dos autores do pensamento contemporâneo. Este "corpo" de texto tem uma relação com as imagens, elas são a sua pele um outro reflexo desse interior. O Atlas é também um percurso espacial e são vários os caminhos que se podem desenhar para a leitura: ler o texto seguido com ou sem imagens, seguir as notas de rodapé, saltitar entre os fragmentos, ler apenas a narrativa das imagens e as suas legendas/comentários - ao leitor, é exigido que abandone uma atitude passiva durante a sua leitura.
Algumas das imagens d'Os Espacialistas não nos são estranhas, vêm de projetos anteriores - como o Piscocenho, que realizaram durante a residência na Red Bull House of Art em 2011 - mas adquirem aqui um novo corpo. O seu trabalho resulta de uma observação muito atenta do espaço, das suas propriedades e potencial. As suas imagens são como sinapses, um novo espaço onde ocorrem ligações e se constrói uma linguagem.
O espaço é a perceção que temos da relação do nosso corpo com a envolvente. Fazemos uma projeção dessa relação a nível mental e aí podemos questionar o te esse espaço, como reflexo da imaginação, da memória e da afetividade.
Nas suas imagens, Os Espacialistas fotografam-se em situações espaciais concretas, com objetos do quotidiano e da natureza. O seu aspeto comum perde-se na estranheza em que são colocados, na sua relação com o corpo, em condições perspéticas de trompe l'oeil, resultando em situações invulgares, carregadas de ironia e crítica.
Publicado pela Caminho no final de 2013, foi considerado pela crítica como um dos melhores livros do ano. Gonçalo M. Tavares dedica o seu livro a Bernardo Sassetti.

Fev 2014