
1. Alles ist Architektur afirmava Hans Hollein no tumultuoso final dos anos 60. O seu seminal ensaio terminava então com a declaração: "Todos são arquitetos. Tudo é arquitetura."1 Na interpretação destas duas pequenas frases poderá estar a base para uma leitura crítica da 3ª Trienal de Arquitectura de Lisboa, comissariada por Beatrice Galilee sobre o tema Close, Closer. Desde logo, a assunção da veracidade ou falsidade da asserção de Hollein implica duas respostas diametralmente opostas. A recusa daquilo que apresenta ou a apologia daquilo que expressa. Nenhuma destas alternativas parece ser suficientemente produtiva. Porém, esta dicotomia tem dominado a receção da Trienal deste ano. Mas elaboremos um pouco mais. Alguma luz poderá surgir da análise da pontuação presente na proposição histórica de Hollein. A verdade é que existe uma ambiguidade lacónica nos meros pontos finais que concluem as duas pequenas frases. Perante tal afirmação bombástica no meio disciplinar da arquitetura de então, os pontos finais retiram a ênfase que os pontos de exclamação naturalmente lhe confeririam. Serão os pontos finais, pontos de exclamação dissimulados? A lógica do manifesto parece, de facto, atravessar todo o ensaio. Mas serão os pontos finais, pontos de interrogação interiorizados? A dúvida parece igualmente estar presente ao longo do texto. Se entendermos esta Trienal como uma afirmação curatorial, talvez possamos perceber Close, Closer como um desafio que nos é endereçado. No limite, um manifesto de que tudo é Arquitetura! para uma interrogação se tudo é arquitetura?. Acreditamos que esta é a abordagem mais fecunda a uma Trienal que tem espoletado polémicas, mais ou menos acesas ou veladas. É precisamente aqui que a revista arqa pode ter um papel crítico, na esteira dos números especiais que realizámos para as anteriores edições da Trienal e da Guimarães 2012. Esta edição tem como principal objetivo apresentar uma perspetiva crítica pós-evento, que abra uma reflexão alargada que consideramos absolutamente necessária. Agradecemos à Trienal todo o apoio dado para a realização deste número, nas figuras do seu Presidente José Mateus, do Diretor Executivo Manuel Henriques, da curadora geral Beatrice Galilee e restante equipa curatorial, bem como da incansável equipa de produção do evento.
(…)Dez 2013

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