arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Entrevista

por: Luís Santiago Baptista, Paula Melâneo

Zorán Vukoszávlyev

Lugares Sagrados - Perspetivas Críticas

Arquiteto, Professor Budapest University of Technology and Economics (BUTE), Co-editor New Lutheran Churches

arqa: Tendo em conta a sua investigação sobre o espaço sagrado e o seu livro New Lutheran Churches, em que sentido lhe interessa especificamente a questão do sagrado em arquitetura?

ZV: No campo da educação da arquitetura, surgiu um enorme hiato entre a ideia arquitetónica ditada pelas disciplinas típicas das escolas e a viabilidade real da arquitetura. Não só os lemas arquitetónicos de tendência do contexto virtual afastaram os planos do campo da realidade, como a arquitetura, que se ensina de modo idóneo, a um alto nível, na realidade ignora o estado de desenvolvimento visual das pessoas comuns. Nas universidades, as visões dos consultores manifestam-se nos projetos dos estudantes: o conhecimento do "mestre" é transmitido aos estudantes de forma verbal e depois da transcrição pessoal é utilizada para dar resposta a um problema arquitetónico. Os projetos podem viver no papel, maquetes ou espaço virtual - mas não estão ligados a necessidades sociais reais. A atualidade deste antagonismo torna-se óbvia quando os arquitetos recém licenciados começam a trabalhar nos ateliers ou conseguem os seus primeiros trabalhos. A necessidade de feedback está a tornar-se maior. Desenvolvemos o estúdio de Arquitetura Sacra, na Universidade de Tecnologia e Economia de Budapeste, dentro dos cursos da Faculdade de Arquitetura, que se apresenta como uma alternativa ao método de criar projetos em situações "irreais". O nosso curso, com um pequeno número de alunos, fornece a "realidade" de um trabalho de dois semestres e termina com um workshop. O trabalho do primeiro semestre é a análise de tipologias específicas de construção. Este curso introdutório termina com um projeto ideal, no entanto, é avaliado essencialmente pela relação entre função - forma espacial - e massa e não por aspetos arquitetónicos. O segundo semestre começa com a análise de aspetos de construção; aí a discussão definitiva gerada pela localização discute-se numa abordagem complexa através dos elementos de composição, materiais e espaciais. Lidamos com a adaptação com um projeto bem pensado para um local específico. A escala do trabalho permite-nos fazer uma micro análise do "objet trouvé" do local. A exigência do projeto pode definir-se numa só frase: o objetivo é criar um edifício em que prevalece o domínio do material; em vez da habitual abordagem arquitetónica compreendendo-a como se a tivéssemos construído nós próprios. Esta necessidade para o "self-made" traz o projeto para a realidade; a especulação na forma de construção liga a ideia espiritual ao material real sem qualquer transmissão. Na maquete de discussão os arquitetos oponentes expressam a sua opinião no processo de realização do projeto, mas o que é ainda mais importante é que, em cada fase, os estudantes possam debater com os representantes da comunidade, com a ajuda de uma maquete à escala 1:10. A relação direta é enfatizada no final do curso de dois semestres, quando se constrói no local um objeto de consenso comum numa escala 1:1, com uma função - como a realidade imediata da ideia. O método de reação dos contactos sociais, no campo da educação arquitetónica, é a necessidade de comunicação cultural. A utilização de materiais específicos ao local, a construção artesanal, o processo de planeamento através de consenso, dão um estatuto legal à arquitetura.

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Jul 2013

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