
Autora XS series e New Sacred Architecture
arqa: Tendo em conta a sua investigação sobre o espaço sagrado e o seu livro New Sacred Architecture, em que sentido lhe interessa especificamente a questão do sagrado em arquitetura?
PR: Na pesquisa para o meu livro estava interessada na forma como os arquitetos contemporâneos lidavam com o desafio de criar um espaço que tivesse como propósito realçar e encorajar a consciência e as experiências espirituais. Queria particularmente mostrar edifícios de variadas fés e até aqueles que não estavam destinados a albergar qualquer tipo de fé. Isto porque ainda não tinha visto nenhum livro que o fizesse, num contexto contemporâneo. Pensei que haveria algum denominador comum, numa altura em que estes edifícios poderiam ter menos a ver com devoção e mais como espaço abrigo e comunitário. Fui educada como Católica, por isso passei por igrejas e catedrais, mas nunca tinha examinado o interior de uma mesquita ou sinagoga antes, e não estava familiarizada com os rituais associados. O que foi mais marcante na aprendizagem sobre estas estruturas foi a existência de muitas semelhanças entre elas, o que me deu esperança em termos de disputa religiosa, mas era intrigante relativamente às diferenças observadas. No processo de realização do livro fascinou-me o entusiasmo e prazer dos arquitetos em projetar espaços espirituais. Muitos não tinham uma religião, mas todos encararam a tarefa de criar estes espaços como um desafio inspirador e edificante. Afirmaram que gostavam de criar espaços que iam além da luxúria material e dos aspetos práticos. Claro que todos tinham de trabalhar dentro de orçamentos, mas o foco do projeto estava em algo intangível e sentiam que isso lhes dava uma liberdade criativa que achavam compensadora. Emergiram dois elementos comuns deste projetos: a necessidade de paz e luz. Já volto a estes elementos pois parecem-me relevantes para mais questões. Mas os melhores espaços com que me deparei conseguiam transmitir uma sensação libertadora de calma, tendo sido projetados de forma muito consciente e imaginativa, no que refere a exploração dos efeitos da luz natural.
(…)Jul 2013

FLORIAN IDENBURG, ARQUITETO INTERNACIONAL COM MAIS DE DUAS DÉCADAS DEEXPERIÊNCIA, É UM DOS FUNDADORES DO ATELIER SO-IL, EM NOVA IORQUE. TEM UMPERCURSO PROFISSIONAL MUITO LIGADO A ESPAÇOS INSTITUCIONAIS, TENDO LIDERADOPROJETOS…
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