arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Entrevista

por: Luís Santiago Baptista, Paula Melâneo

Léopold Lambert

Novas Coletividades - Perspetivas Críticas

Arquiteto, Editor blog The Funambulist, Autor "Weaponized Architecture: The Impossibility of Innocence"

arqa: Tendo em conta a sua atividade editorial e investigação no blog The Funambulist, em que sentido lhe interessa especificamente o fenómeno das novas coletividades?

LL: Em primeiro lugar, gostaria de dizer que a atividade editorial e a investigação que têm a gentileza de referir aqui foi feita em associação com a atividade mais prática que desenvolvi através do meu trabalho de projeto. Ambas as atividades se influenciam o que é algo verdadeiramente fundamental para mim. Interessa-me a noção de coletivo, não da forma como a utilizamos por vezes para descrever um consenso, mas antes na formação de grupos de pessoas e ideias que juntos partilham e constroem uma ética política. Quando aqui me refiro a ética, não é algo que tenha a ver com uma moral transcendente, como é frequente referir-se incorretamente. Por ética, quero dizer um sistema de valores, individual ou coletivo, construído continuadamente, que não tende para a universalização, e por isso está determinada a defender-se dos seus vários antagonismos. Para mim, a parte interessante é que a construção do sistema de valores envolve necessariamente uma produção cultural que, como é óbvio, envolve arquitetura. Não devemos encarar a ética como uma espécie de suplemento desta produção, mas como a sua própria essência. Não existe uma produção cultural politicamente neutra e, consequentemente, não existe arquitetura politicamente neutra. A própria ideia de neutralidade é um simulacro de uma produção que envolve as relações de poder dominantes a partir das quais emerge. Falam da ideia de um novo sentido de coletivo. Não tenho a certeza que exista aqui qualquer novidade; em vez disso, é possível que haja antes uma reintensificação do sentido do coletivo, que é historicamente recorrente em tempos de crise económica; mas pode dizer-se, infelizmente, o mesmo sobre as ideologias baseadas em todas as formas de rejeição e medo da alteridade. Usar este ímpeto histórico é importante por dois motivos: para evitar a supremacia das ideologias, que acabei de evocar, e para usar a energia reunida contribuindo para a produção cultural e social, também aqui evocadas.

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Mai 2013

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